domingo, 23 de março de 2014

RESSURREIÇÃO e MISSÃO

Rev. Gessé Almeida Rios

“Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.” 1 Cor. 15:3-4

Estamos nos aproximando de uma das celebrações mais significativas do calendário cristão, a Páscoa. Na carta aos Coríntios Paulo apresenta de forma vívida e contundente o Cordeiro pascoal que venceu a morte, ressucitou e vive.

Provavelmente tenha escrito outra carta exortando os irmãos de Corinto a não se associarem com crentes imorais (5:9). Na presente carta, porém, sua preocupação se volta para os seguintes aspectos da vida de igreja:
1.        Quebra de unidade por causa de divisões internas. Uns se achavam mais espirituais e mais inteligentes que outros (1:11-12; 3:1-4; 8:1-3)
2.       Críticas infundadas a Paulo (4:1-4)
3.         Imoralidade desenfreada ((5:1)
4.        Processos judiciais entre cristãos (6:1-6), entre outros.

Nos capítulos de 1-6 Paulo aborda problemas relacionados a questões morais identificados e que chegaram a seu conhecimento; Dos capítulos 7-16 sua preocupação se volta para problemas que os próprios crentes de Corinto levantaram - questões mais de ordem doutrinária; No capítulo 15, entretanto, ele se ocupa de um ensino doutrinário da mais alta necessidade de clareza, isto é, a ressurreição dos mortos. O capítulo é praticamente um tratado sobre a ressurreição do corpo. E para abordá-lo ele se fundamenta na ressurreição do Senhor.

Primeiramente Paulo establece que a ressurreição de Jesus é um fato inegável uma vez que há evidências históricas suficientes para afirmá-la. Muitos do seu tempo o viram ressurreto. Se fosse possível nega-la estava resolvido o problema para os coríntios. Por influência do pensamento grego que acreditava que a matéria é má e, portanto, não podiam acreditar na ressurreição do corpo – matéria. Mas o fato histórico da ressurreição de Jesus lançava por terra de uma só vez o predominante conceito gnóstico. Vale notar que os crentes de Corinto não duvidavam disso – “foi visto”. O fato de jamais questionarem a ressurreição do Senhor, fortalece aind a mais a veracidade da ressurreição. Portanto, a ressurreição do Senhor testifica a favor da ressurreição dos corpos.

Um segundo aspecto é que a ressurreição de Jesus é o ponto central do Evangelho. Ela implica e inaugura a era vindoura de vitória sobre a morte. “Venho lembrar-vos” - Texto Receptus: “declaro” - Trinitariana: “vos notifico”. “O evangelho” – “o qual, vos preguei” – “o qual vós recebestes” – “no qual perseverais”. “Por ele sois salvos” – Ele está falando do evangelho - Boa Nova - da Ressurreição. “Se retiverdes a palavra tal qual vo-la preguei”, sem adulteração. “A menos que tenhais crido em vão”, implicando assim que o fato de negar a ressurreição torna vã a nossa fé (14). Ao afirmar: “Entreguei o que recebi” (3-4) Paulo aponta para a integridade de sua mensagem. Sua conclusão aqui é que foi exatamente nesta mensagem que eles creram (11). Logo, seria uma incorência agora negá-la agora.

Por fim, ele assegura que a ressurreição é a essência da mensagem apostólica, a qual consistia em: (1) afirmar a morte vicária de Cristo - morreu para expiar/pagar/anular nossa dívida/pecados - (2) e a ressurreição do Senhor - como o primeiro a vencer a morte para nos dar uma esperança segura. E isso não é novidade, pois as Escrituras já previam - “Segundo as escrituras” – isto é, de acordo com aquilo que foi profetizado nas Escrituras (Sl.16:9-11: 49:15; 68:18; 110:1). A partir do verso 12 Paulo começa a concluir seu argumento reafirmando a incoerência dos coríntios – pregam que Jesus ressuscitou da morte, mas não podem crer que vamos ressuscitar também. Neste caso, em que consiste nossa esperança? Portanto, sem a ressurreição do Senhor “...é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.” (v.14)

Concluindo, a ressurreição do Senhor testemunha a favor de nossa própria ressurreição e, como consequência, garante-nos viva esperança e autentica nossa missão de proclamar as boas novas de salvação. Sendo assim, ela é a razão do nosso trabalho (14), a razão da nossa fé (17) e a razão da nossa esperança (17-19).

* Foto: www.patheos.com

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