quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O Natal que Celebramos

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. João 1:1, 14.

A jornalista Regina Teixeira publicou um artigo na Folha de São Paulo em 15/12/2013 no qual afirma que existem pessoas que não têm nenhum prazer na celebração do natal.

Segundo a psicologia não existe um termo clínico para definir esse sentimento negativo em relação à data, o que ela chama de "depressão de Natal". O fato é que as reclamações aumentam nesta época do ano. Ela cita o professor de psicologia da PUC-SP, Hélio Roberto Deliberador, que explica: "A sensibilidade das pessoas está à flor da pele e, por ser o final de um ciclo, é uma época em que se faz um balanço das expectativas e das relações". Segundo Adriana Rizzo, voluntária do CVV (Centro de Valorização da Vida, ONG que dá suporte emocional por telefone ou internet, muito procurada por potenciais suicidas), os atendimentos disparam entre 23/12 e 1/1.

Entre os exemplos de desaprovação apresentados pela jornalista estão a professora Adriana Bauer, 48, que não acha nenhuma graça na risada do Papai Noel e se sente mais angustiada nesta época. "Fica todo mundo louco para fazer compras, viajar, sair de férias", diz. "Quem não pensa nisso fica desconectado." O outro exemplo é o jornalista e músico Bruno Palma, 28, colocou sua percepção natalina na canção “Vem Janeiro” da seguinte forma: "Eu quero desaparecer/Eu quero adormecer/E acordar só no próximo ano/Eu não quero fingir/Não quero te deixar para baixo/Voltarei quando isso terminar", canta em inglês em "Come January".

E não é para menos. Quando a sociedade elimina o significado principal do Natal e se volta para o sentido pagão que deu origem à data de 25 de Dezembro como a data para a celebração cristã ocidental, não pode esperar outra coisa senão o vazio desesperador característico de uma vida sem Cristo. Confesso que também faria parte dessa estatística se não fosse Cristo em mim, “a esperança da Glória” (Col. 1:27). Pois sobraria apenas o consumismo, a lenda tola em torno do tal Papai Noel, etc.

Felizmente há outro sentido para o Natal. O Natal que celebramos não é o natal do culto ao consumo. Nem o natal mitológico do “bom velhinho” e suas renas distribuindo presentes para crianças boazinhas. 

O evangelho de João, capítulo 1 e verso 14 nos remete para outra realidade. Aponta para o motivo de nossa celebração natalina. Afirma claramente que o Verbo virou gestação e nasceu gente de carne e osso, sem pecado, para assumir a culpa pelo pecado da humanidade e, assim, salvar os escolhidos pelo Pai desde os tempos eternos. Existe algo maior no mundo que merece celebração com festejos, regozijo, júbilo de alegria? Creio que não.

Pensando nesta passagem das Escrituras, à luz da história da celebração cristã do Natal, podemos afirmar categoricamente que ao celebrarmos o Natal estamos celebrando A ESPERANÇA que temos e Cristo, a qual nada nem ninguém podem retirar de nós. Nenhuma outra afirmação poderia soar tão magnifico para esse mundo sem esperança, à beira do naufrágio e sem uma tábua de salvação na qual posse se agarrar, do que a extraórdinária revelação que “o verbo se fez carne”. O evangelista Mateus registra essa boa nova nas seguintes palavras: E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali; Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz: A terra de Zebulom, e a terra de Naftali, Junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galiléia das nações; O povo, que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; aos que estavam assentados na região e sombra da morte, a luz raiou. Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus (Mat. 4:13-17). O Verbo se fez carne e habitou entre nós, por isso celebramos o Natal.

Podemos afirmar também, que ao celebrar o Natal estamos celebrando A MAIS EVIDENTE MANIFESTAÇÃO DA GLÓRIA DE DEUS em nosso meio. Vimos a sua glória, somos testemunhas disso o que faz nos responsáveis por propagá-la entre todos os povos e raças. Vimos a sua glória em nossa própria existência e dela nos tornamos cúmplices. Somos chamados por Deus para anunciá-la a homens e mulheres, jovens e crianças, sem acepção de pessoa. Pois Ele habitou entre nós de forma gloriosa, cheio de majestade e poder. Fomos presenteados, o Criador habitando com Sua criatura. O ser mais sublime veio até nós, em nossa própria forma humana, e habitou entre nós pecadores. Que privilégio! Como não celebrar? O texto não deixa dúvidas, Ele habitou entre nós. Não se trata de uma passagem ou visita do divino, puro e santo, entre nós pecadores. Mas de fazer morada, algo permanente. Em João 14:18 o próprio Jesus, prestes a ser assunto aos céus, nos dá a garantia de sua contínua presença dizendo: não vos deixarei órfãos. Na grande comissão Ele reafirma esse compromisso: E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Oh bendita promessa que nos leva a cantar “Que segurança tenho em Jesus!” Ele, o resplendor da glória de Deus (Hb. 1:3), está conosco. EMANUEL = Deus conosco.

Podemos afirmar ainda que ao celebrar o Natal, estamos celebrando A SALVAÇÃO PELA GRAÇA. Sim, salvação da condenação eterna imposta pelo pecado. Outrora separados de Deus, agora não mais. Porque Ele veio e habitou entre nós e continua habitando na vida daqueles a quem Ele escolheu antes mesmo da criação para serem seus. Isto implica em relacionamento. O trágico episódio no Gênesis culminou com o total rompimento dessa relação especial que existia entre a raça humana, representada pelos nossos primeiros pais, e o seu Criador. Por meio de Cristo, o Verbo encarnado, a comunhão perdida é reatada de modo permanente. Ora, Deus não se relaciona com o impuro, imperfeito, pecador. Assim, para tornar possível reatar o relacionamento quebrado por causa da desobediência Ele, num gesto de graça, oferece seu único Filho que, em obediência se humilhou e assumiu a forma humana. O Verbo se fez carne. Pura e simplesmente um misericordioso ato da graça de Deus.


Portanto, ao celebrar o Natal estamos celebrando o nascimento ou encarnação de Cristo Jesus, o Messias prometido. Nossa celebração nos faz lembrar a grandiosa esperança que temos nEle. Celebramos Sua gloriosa permanente habitação conosco, porque eEle jamais nos deixará. Celebramos a salvação que Ele conquistou na cruz do Calvário para aqueles que o Pai Lhe deu antes da fundação do mundo. Assim, podemos dizer com todas as letras Feliz Natal!

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Minhas impressões sobre Nelson Mandela

Nelson Holihlahla Mandela - 18/07/18 a 05/12/13
Não temos como esconder nossos sentimentos de tristeza e dor pela partida desse gigante estadista que viveu e morreu por uma causa, a dignidade do ser humano. Creio que todos que o conheceram ou tiveram a portunidade de acompanhar sua trajetória foram marcados por uma ou mais aspectos do seu caráter.

Sua HUMILDADE sempre me impressionou. O desapego ao poder (uma grande lição para os políticos desta geração), é um dos mostra um pouco de sua humildade. Como disse Rev. Jesse Jackson comentando sua morte na BBC World alguns minutos atrás, "se ele quisesse seu mandato teria acabado ontem, com sua morte". Num continente marcado por líderes com fome de poder, líderes que se apegam às suas posições a ponto de se tornarem destáveis ditadores, seu gesto de considerar sua contribuição dada e não aceitar um segundo mandato diz tudo. Ele mesmo fazia questão de salientar suas fraquezas, de se mostrar humano, pecador como todos os demais seres humanos.

Sua atitude de PERDÃO. Ele entendeu que sua luta não era um empreendimento pessoal, mas uma missão em prol do seu povo (de todas as coras e raças). Foi incompreendido até mesmo pela sua própria família imidiata (vide filme "Invictus"). Quando saiu da prisão e posteriormente assumiu o comando da nação, todos acreditavam em um banho de sangue. Os mais otimistas acreditavam que certas minorias seriam perseguidas, mas em nenhum momento ele alimentou alimentou tal sentimento no meio do seu povo, embora a expectativa de muitos fosse a de revanche. A criação Comissão de Reciliação e Justiça, que teve forte influência de posturas teológicas cristãs de homens como o bispo Desmond Tutu, foi a resposnta encontrada para lidar com o passado. Ele afirmava que o perdão liberta, primeiramente o perdoador, enquanto o ódio aprisiona. Creio que seu maior legado para a nação sul-africano e para o mundo foi a ênfase na reconciliação. É possível vivermos juntos apesar das nossas diferenças.

Sua atitude AMOROSA para com todos, em especial pelas crianças. Talvez o fato de ter sido encarcerado por quase 27 anos, privado de ver seus filhos cresceram, isso tenha contribuído para que ao sair da prisão tenha devotado sua vida em favor das crianças. Quando saiu da prisão uma das primeiras coisas que fez foi segurar uma criança nos braços. Ele mesmo disse que segurar um criança nos braços foi uma das coisas que mais sentiu falta em seus anos de prisão.

Particularmente creio que estes e outros aspectos de seu caráter tenha origem, em parte, em suas experiências como aluno interno nos etudos do primário e secundário na rigorosa escola missionária metodista. Ele mesmo nunca mencionou isso, mas imagino que tais valores intrincecamente cristãos fizeram parte do forjar de seu caráter.

Que seu legado continue a inspirar pessoas ao redor do mundo por um mundo melhor.
Uma explicação: Quando verem o povo cantando e dançando nas ruas enquanto sentem sua morte, isso significa que estão celebrando sua vida, seu legado.