segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Notícias de Outubro


Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou cabeça de todas as coisas para a igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas, em toda e qualquer circunstância. Efésios 1:22 e 23

Cape Town, Outubro de 2011

Primeiramente agradecemos suas orações e resposta em nos ajudar a atender em situação emergencial no caso do agravamento do estado de saúde emocional da Iolanda.  Pela graça de Deus sua recuperação está acontecendo aos poucos. Nesse momento está no processo de redução da medicação usada para atacar no momento das crises. Até final de novembro já deverá ter finalizado a retirada de dois dos quatro medicamentos. Deverá continuar com outros dois por mais algum tempo e depois iniciar um programa de retirada de um deles. O alvo é ficar apenas com um até um dia poder retirar totalmente, se ela e os profissionais que a acompanham assim entenderem.

As terapias com Dr. John Stanton Freeth tem sido de fundamental importância nesse processo. Através delas descobrimos que Iolanda sofre de uma desordem chamada SAD (Desordem da Ansiedade da Separação) cuja origem remonta à sua infância. Em meio a essa situação algo que tem chamado nossa atenção, ou seja, a grande quantidade de cartas e mensagens de pessoas se solidarizando com a situação da Iolanda. Temos percebido que a liberdade da Iolanda em compartilhar sua situação abertamente, livre de preconceitos, tem servido de encorajamento para muitas pessoas que passam pela mesma situação ou até piores. Há pessoas que literalmente agradecem o fato de compartilharmos nossas lutas nessa área, pois ao fazermos isso estamos nos identificando com elas. Deus tem propósitos mesmo naquilo que não Lhe pedimos, não entendemos e nem queremos.
Dia 18 de setembro completei 50 anos. Nossos colegas e amigos nos deram (a mim e a Iolanda) duas noites num Hotel Fazenda no deserto do Karoo, a 230 km de Cape Town. Foi muito bom descansar um pouco e fazer o que gosto, que é estar em contato direto com a natureza. Aproveitei para fazer algumas fotos de flores nativas do deserto do Karoo que nesta época do ano é um espetáculo à parte.

Nossos filhos estão bem, graças a Deus. Estamos na expectativa do retorno do Philipe da China, previsto para dia 06/11/2011. Somos imensamente gratos a Deus pelo apoio que recebeu de nossa colega missionária, Evânia. Estamos ansiosos pela chegada dele para matar a saudade, ouvir suas histórias e começar os preparativos para a Universidade. Leonardo está se dedicando à bateria de exames finais que deve durar até final de novembro. Também está aplicando para Universidade no próximo ano. Guilherme segue firme no trabalho e bem mais motivado. Auxilia na igreja em algumas áreas, principalmente tocando bateria no louvor.

No dia 15 de agosto recebemos uma notícia muito triste e outra um tanto desagradável. A notícia triste foi sobre o falecimento de Nininha, uma prima muito querida da Iolanda. Era uma pessoa amável, crente fiel e dedicada nas coisas de Deus. Casada e mãe de dois filhos, membros da Igreja Presbiteriana do Setor Universitário em Goiânia. Ainda estamos superando a saudade. A notícia desagradável foi a de que precisávamos encontrar outra casa, pois a que moramos desde janeiro de 2007 seria colocada a venda. Depois de muita procura, pela graça de Deus encontramos uma perto de onde moramos e não muito distante do nosso orçamento que nos foi confirmada hoje. Dia 01/11/11 estaremos mudando, se Deus permitir.

Estamos contentes de ver a Escola Bíblica Dominical da KCPC (Igreja Presbiteriana da Comunidade do Kenilworth) em pleno funcionamento e as pessoas se beneficiando do ensino. A freqüência tem sido boa e o número de crianças na igreja só aumenta. Agora, além das 4 classes para adultos, já existem 3 classes para crianças. Há muito chão a caminhar ainda, mas cremos que Deus está conduzindo as coisas dentro do seu propósito.

Nesse momento estamos revisando e reescrevendo o projeto C-Step, buscando maior participação da igreja do Kenilworth em sua gerência, uma vez que se trata de um projeto da APMT em pareceria com a Igreja, para a comunidade. Temos dado mais atenção a famílias de refugiados em situação de crise. Quatro crianças continuam tendo suas necessidades escolares atendidas integralmente. Concluímos mais um curso na área de inclusão digital e decidimos que outros serão oferecidos só a partir de 2012 em parte porque precisamos gastar mais tempo com reuniões para reestruturação do projeto, sem contar que precisamos preparar nossa mudança de casa e a Silvia se organizando para retornar ao Brasil para um mês. Alunos de digitação, no entanto, continuarão sendo atendidos. Mais um curso de costura de 8 semanas acaba de iniciar. O curso de pintura em tecido foi interrompido em função do tratamento da Iolanda. Deverá retomar no início do próximo ano.

Quanto aos trabalhos da Base Sul da África, devemos ir a Moçambique até final desse ano. Dia 26/11/11 teremos nosso primeiro seminário organizado para os missionários que estiverem na cidade do Cabo, no qual será abordado tema a saúde emocional, cuidados que se deve ter.

A seguir, motivos para nos acompanhar em suas orações:
Motivos de louvor
  • Pelo cuidado de Deus nos momentos críticos pelos quais Iolanda tem passado nos últimos meses e pela APMT, pessoas e igrejas que Deus tem usado para nos ajudar para nos oferecer apoio;
  • Pelas oportunidades de serviço, aprendizado e crescimento pessoal do Philipe na China;
  • Pelo bom desempenho do Guilherme no trabalho e seu envolvimento com a Igreja;
  • Pela superação do Leonardo nos estudos;
  • Por termos achado outra casa na vizinhança onde moramos;
  • Pelos 50 anos de vida que Deus me deu.

Pedidos de oração
  • Por definição quanto aos estudos do Leonardo e Philipe em 2012. Pelas respostas das universidades e recursos financeiros para custeá-los;
  • Por minha viagem a Moçambique e encontro com lideranças presbiterianas ali;
  • Pela continuação no tratamento da Iolanda;
  • Pelo Primeiro Seminário sobre Saúde Emocional de Missionários;
  • Pela nossa mudança dia 01/11/11.

Seus, por causa de Cristo,

Rev. Gessé Almeida Rios (pela família)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Carta aos Desanimados



Por Ronaldo Almeida Lidório
 
Como resgatar sua fé durante a caminhada cristã


Durante a caminhada da vida há momentos em que as cores passam a alternar apenas entre tons opacos e sombrios. O que antes despertava paixão, agora parece um fardo. O que encantava o coração torna-se um peso. A alegria é substituída pela apatia, o ardor pela dúvida, a disposição pela desesperança.

Há diversas causas para o desânimo profundo, tanto as biológicas quanto as emocionais e espirituais. Há aqueles que perdem o sabor pela vida a partir das tragédias que se abatem sobre seus dias. A perda de um parente, o desemprego que chega, o casamento que se desfez ou o filho que parece não voltar. Outros perdem a alegria devido a gatilhos mais biológicos, de enfermidades físicas prolongadas ou crises de ansiedade, estresse, depressão e síndromes que teimam em permanecer. Há também os que se encontram desanimados pelo próprio distanciamento do Pai. A vida devocional e os assuntos do Alto já não fazem parte de sua rotina. Não há tempo para orar, ler a Palavra ou cultuar a Deus. O resultado, cedo ou tarde, é o sofrimento e o desânimo da alma.

Um dos cenários bíblicos mais angustiantes que aparenta total exaustão e profundo desânimo se passa com Davi. O desfecho foi surpreendente e o que aconteceu com ele pode acontecer conosco.

Davi é um exemplo de inscontância humana como talvez nenhum outro personagem na Palavra. Foi guerreiro implacável e na força de Deus derrotou o gigante Filisteu. Por outro lado adulterou com Bate-Seba e traiu Urias, um de seus leais soldados. Reconstruiu Jerusalém que passou a ser chamada cidade de Davi, porém magoou seus filhos e foi um desastre como pai. Era temente ao Senhor e foi chamado homem segundo o coração de Deus, entretanto, em sua família houve incesto, assassinato, mentiras e traição. Talvez a inconstância tenha sido uma das principais marcas da trajetória deste servo de Deus.

Entre montanhas e vales ele chegou a um dia, dentre tantos, que o tomou por completo e exaustivo desânimo. No retorno de uma cansativa batalha, ele encontrou Ziclague, a cidade que habitava, saqueada e destruída. Todas as mulheres e crianças haviam sido levadas cativas. A cidade era um monturo de cinzas. Seus homens e amigos leais, agora amargurados, falavam em apedrejá-lo. E ali se encontra Davi, caído, sem consolo e esperança vendo suas forças faltarem. Não apenas forças físicas, mas as forças da alma. Talvez tenha sido um dos raros momentos em sua história que ele se enxerga sem ação.

Mas algo inesperado acontece com aquele homem caído. Diz a Palavra que “Davi se reanimou no Senhor seu Deus”. Esta frase, encontrada no primeiro livro de Samuel, capítulo 30, verso 6, revela-nos uma das mais poderosas ações de Deus na vida de seus filhos: levantar-nos quando tudo parece perdido; abrir o caminho quando não sabemos para onde ir; dar-nos perseverança quando a vontade é parar.

O que mais me intriga é que este “reânimo” veio absolutamente do Senhor, pois não havia ali elementos de esperança. Seu coração fraquejou, seus amigos lhe faltaram, as forças físicas estavam consumidas. Porém, ali, ele “se reanimou no Senhor seu Deus”.

E, reanimado, se levantou. Davi perseguiu os amalequitas com alguns de seus homens, tomou de volta as mulheres e crianças e ainda o despojo que partilhou entre todos. Reconstruiu a cidade e habitou nela. Recuperou o respeito de seus homens com o brilho de quem um dia iria reinar sobre todo Israel.

O reânimo é uma experiência íntima e profunda, que se passa de forma diferente na caminhada de cada um. Se os cenários de nossas vidas são distintos, bem como aquilo que nos abate, a fonte do nosso reânimo é a mesma: o Senhor nosso Deus.

Percebo que os conflitos relacionais e a crítica interpessoal são dois frequentes causadores de profundo abatimento de espírito. Perante estes, muitos gigantes da fé já foram nocauteados e perderam o fôlego. Se é este o seu caso talvez você se sinta, de alguma forma, como Davi naquele dia. Após voltar de uma batalha em que lutou lado a lado com seus homens, e juntos prevaleceram, agora estes falam em apredrejar-lhe. A crítica possui a capacidade de gerar ansiedade crônica na alma humana. Se não for tratada, ela passa a ser o seu último pensamento ao dormir e o primeiro ao acordar. Ela faz o seu coração disparar perante a simples lembrança do comentário que foi lançado contra você. Talvez um dos instrumentos de maior abatimento nas relações humanas seja, justamente, a crítica. Perante ela há uma escolha – infeliz – de alimentar o rancor no coração e jamais se esquecer. Isto o levará a uma trilha na qual você perderá a brandura e o amor. Você não será mais o mesmo. A outra escolha – feliz – é de entregar ao Senhor aquilo que você não pode resolver, responder ou apagar... e descansar. A reação do Alto será a mesma que visitou Moisés no deserto, Elias na caverna e Davi em Ziclague: Deus o reanimará.

É preciso lembrar que o Senhor nos criou com corações ensináveis. Assim, devemos sempre nos lembrar daquilo que nos traz esperança. A esperança cura a alma e prepara o espírito para o que Deus fará. Podemos a cada dia orar pedindo que nossa vida não se torne um poço de ressentimentos, que não fiquemos para sempre caídos, que o desânimo – seja físico, emocional ou espiritual – não nos derrote. Podemos rogar que aquilo que - de forma fantástica - aconteceu com Davi em Ziclague, aconteça também conosco: sermos reanimados pelo Senhor nosso Deus!

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Ronaldo Lidório, doutor em antropologia, é missionário da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais e da Missão AMEM. É organizador de A Questão Indígena -- Uma Luta Desigual

http://www.creio.com.br/2008/noticias01.asp?noticia=15592

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Pastor e igreja deixam pentecostalismo e se tornaram Igreja Reformada




Uma avaliação incisiva e contundente do movimento pentecostal, escrito por um pastor que passou mais de 30 anos dentro do movimento. É uma conversa informal que foi transcrita.


1). O que o irmão citou sobre o Pentecostalismo realmente não é tudo. Porque o que acontece lá dentro é muito, muito pior. Eu estive mais de trinta (30) anos dentro daquele movimento. Vi quase tudo o que ocorre lá dentro. É de arrepiar. Hoje, depois que o bom Deus abriu os meus olhos, vejo o quanto eu estava enganado. Sair do Pentecostalismo, para mim, foi uma das maiores bênçãos da minha vida. Nesses anos todos em que estive lá dentro a única coisa boa que posso falar de lá é que há forte motivação e entusiasmo para fazer as coisas. Os pentecostais são muito dedicados. Mas, diga-se de passagem, os Mórmons, Testemunhas de Jeová e Maometanos também o são. Muitos dos pentecostais também são muito sinceros e realmente querem agradar a Deus, mas estão cegos. Têm um zelo sem entendimento (Rom. 10.2).

2). Eu comecei a conhecer o Evangelho numa igreja pentecostal. Eles não davam ênfase na leitura da Bíblia, mas eu queria conhecer a Palavra de Deus. Fui ensinado que os demais crentes, evangélicos não tinham o Espírito Santo. Também fui ensinado que os pastores são ungidos de Deus, quase infalíveis. Ninguém podia julgar o que diziam. Ai daquele que tocasse o “ungido de Deus”. Seria amaldiçoado. Aliás, amaldiçoar as pessoas que discordam deles é uma prática comum no meio pentecostal. Eu mesmo fui vítima dessa maldição algumas vezes. Dois líderes que mais considerava me amaldiçoaram.

3). Línguas estranhas. Aqui foi onde tudo começou. O movimento pentecostal começou com a chamada “segunda bênção”, que tinha como sinal ou evidência o “falar em línguas”. Todos ali são quase que obrigados a falar em “línguas”. Durante todo esse tempo que estive ali eu nunca ouvi uma língua estrangeira ou um dialeto. O que ouvia eram algaravias, - sons incompreensíveis que não dizem nada e que cada um interpreta como quer. As “profecias” eram sempre em torno de coisas óbvias, ou coisas que ninguém podia provar, e até bobagens como “profecias” sobre a vida dos outros, relacionamentos, vestimentas, etc; as “revelações” nunca podiam ser comprovadas. Se era sobre alguma enfermidade, geralmente nem mesmo a própria pessoa tinha conhecimento da enfermidade. Assim por diante.

4). Mais tarde alguns setores do movimento pentecostal não enfatizavam tanto a necessidade do falar em “línguas”, mas o ensino sobre uma “segunda benção”, uma experiência após a conversão, continuou sendo ensinado. Essa “segunda benção”, não é de graça ou por graça. Você tem que “pagar o preço”. Oração, jejuns, santificação, busca, busca e mais busca. E mesmo assim, nem todos a recebiam. Eu ficava desesperado. Achava que não era crente. Pensava que Deus não me amava. Após anos de angustiante luta pela “benção” que nunca vinha, fui ensinado a tentar emitir alguns sons com a boca. Qualquer coisa servia – glo-glo-glo-glo... alabas-alabas-alabas... ripalá...balalá... etc. De repente você está “falando em outras línguas”. Quando não lhe vem nada a mente você fica observando como os outros falam e você os imita. Quem está fora do movimento vê o absurdo, mas quem está lá dentro acha aquilo normal. Fui ensinado a não pensar mas apenas sentir. Se alguém não consegue “falar em línguas” é porque tal pessoa é muito racional. “Não pense” diziam “apenas flua, deixe o espírito fluir”. É verdade que há também os que “fluíram” a coisa sem muito esforço, mas a maioria pena para consegui-lo.

5). Depois que você “aprende” a balbuciar as algaravias, você fica dependente delas e não consegue mais orar sem que aquela coisa lhe encha a mente. É maligno! Todos que “oram em línguas” (algaravias) precisam de libertação. Precisam desaprender aquilo que aprenderam. As algaravias atrapalham você de orar, porque a oração deve ser pensada e quando você pronuncia as tais algaravias não precisa pensar em nada, ou pior pode pensar em qualquer coisa, menos no que está falando. É ridículo!

6). Quando numa reunião todos começam a dançar e falar algaravias, uma ‘alegria’ geral toma conta do ambiente e vira uma “farra”. Um solta gargalhadas, outro cai ao chão, outro pula, treme, etc... Claro que isso não acontece em todas as reuniões. Mas acontece demais por lá. Os pentecostais são ávidos por novidades, e não pelas “antigas veredas” (Jer. 6.16).

7). Espiritualidade de fato, nunca vi ali dentro. Vi, isso sim, muita carnalidade. As pessoas “falavam línguas” mas mentiam, roubavam, adulteravam, brigavam, agiam com brutalidade, faziam negócios escusos, enganavam os irmãos, eram insensíveis, deselegantes, etc. Isso tudo eu vi, e não uma só vez, mais muitas vezes. Eu poderia falar indefinidamente, por horas. De modo que o tal ‘enchimento’ do Espírito não adiantava nada.

8). O que me fez sair de lá? Primeiro é Deus quem nos abre os olhos. É exatamente como na conversão ou como para alguém sair de uma seita. Só Deus. Mas por outro lado, vários fatores me motivaram a sair daquele movimento. Primeiro eu via que, embora nos dissessem que conosco acontecia exatamente igual como no primeiro século da Igreja, eu nunca vi, nem as línguas, nem os sinais apostólicos, nem as maravilhas que aconteceram no primeiro século. Em mais de 30 anos eu nunca vi algo que realmente me reportasse aos tempos apostólicos. Nunca. Nada. A falsificação é bem ruim. Havia uma preocupação dos pastores com o falso, isto é, crê-se que muito do que acontece no meio pentecostal é falso, mas que existe o verdadeiro. Mas enquanto se está atrás do suposto “verdadeiro” todos acabam envolvendo-se com o falso.

9). Eu via que na Bíblia era muito diferente. E ficava deprimido por não ver acontecendo aquilo em nosso meio. Claro, nem podia ser diferente, pois a época dos milagres apostólicos já passou. Os apóstolos passaram. Os sinais dados por Deus para autenticar a mensagem apostólica também ficaram no passado. Demorei para entender isso, mas entendi a tempo. Li muitos livros antigos, dos homens sérios do passado. Então vi que algo estava errado. Ou com eles ou conosco.

10). Eu aprendi a observar a história da Igreja. Temos muito a aprender com a história. A Igreja de Cristo existiu na terra por 1900 anos sem o movimento pentecostal. Irmãos e irmãs, enfrentaram Roma, os Césares, os Papas; encararam as feras, as arenas, as piras ou fogueiras, escreveram livros que nos abençoam até hoje, e tudo isso fizeram “sem o Espírito”??? Será que aqueles irmãos não foram cheios do Espírito??? Segundo os pentecostais, só eles têm o Espírito e essa bênção foi descoberta só pelo final do século XIX e início do século XX. Teria Deus deixado Sua Igreja na terra por 19 séculos sem uma bênção tão especial e necessária??? E se aqueles irmãos do passado não tinham essa bênção, como conseguiram enfrentar o que enfrentaram? Vencer e trazer a chama do Evangelho até nossa geração? E mais, se eles não receberam o Espírito Santo porque não buscaram, então eles cometeram um grande erro. O fato é que eles foram muito diferentes dos crentes das últimas gerações. Então ou eles erraram lá ou nós erramos cá. Os dois grupos não podem estar certos. Um dos dois está errado. E eu prefiro crer os irmãos (remanescentes) daqueles 19 séculos estavam certos, e os pentecostais estão errados.

11). Há alguns anos fizemos um estudo sobre os efeitos do movimento pentecostal sobre a Igreja, seus principais expoentes, e vimos que esse movimento dividiu, criou inimizades, e seus principais líderes se envolveram com falsos ensinos, heresias, escândalos morais, crimes, etc. Por esse estudo eu vi onde desembocou esse movimento. Toda heresia, toda irreverência, toda adulteração nos cultos, todo mundanismo dentro das igrejas, todo comércio vergonhoso do evangelho que vemos hoje, tudo isso teve sua origem no movimento pentecostal. Se não tudo, pelo menos 99%. Disso estou certo. Outra coisa que chamou-me a atenção foi que todos os livros profundos sobre teologia, comentários bíblicos, etc, foram escritos por não-pentecostais. Dos escritores e teólogos pentecostais só li coisas superficiais e de pouca utilidade.

12). A experiência (negativa) também ajudou bastante em minha decisão de abandonar o pentecostalismo. Eu havia sido ensinado a não aceitar nenhuma doença. Contudo eu tenho enxaqueca e nunca fui curado. Deus tem orientado o tratamento e hoje estou muito melhor. Deus me ensinou que ninguém tem o dom de curar hoje. Ele cura, quando assim deseja, mas se não, Ele irá sustentar nossa vida com Sua graça. E esse é o melhor para nós. Contudo, vi pessoas declarando que estavam saudáveis, confessando que não estavam doentes, que não aceitavam nem mesmo o diagnóstico médico, as vi morrerem doentes e brigando com Deus e revoltadas com Ele. Minha esposa é médica. Ela me conta que atende inúmeras pessoas evangélicas, principalmente das igrejas pentecostais e carismáticas, que estão doentes, deprimidas, agitadas, perturbadas emocionalmente, desequilibradas. Muitas dessas pessoas são líderes em suas igrejas (pastores, presbíteros, líderes de célula, líderes de coral, integrantes de bandas, etc. Hoje eu sei que o pentecostalismo faz muito mal à saúde das pessoas.

13). Se você falar com um pentecostal, talvez ele aceite que existe muita coisa falsa por lá – línguas falsas, curas falsas, revelações falsas – mas ele continua crendo que existe o verdadeiro. Agora, eu nunca vi nada ali que fosse digno de ser testemunhado. De fato, tenho é muita vergonha do meu tempo no pentecostalismo. Mas creio que o Deus Soberano usa todas as coisas para nos ensinar.

14). Outra observação que me fez aborrecer o pentecostalismo foi quando comprovei que não éramos os únicos que “falávamos em línguas” (algaravias), mas que isso era também “privilégio” dos Católicos Romanos Carismáticos, adoradores da Virgem Maria (ou melhor, da Deusa-Mãe), também dos Espíritas, invocadores de estranhas entidades, e também dos Mórmons que seguem o falso profeta Joseph Smith e seu anjo Moroni, e que até os Hindus e Maometanos “falam línguas” (algaravias). Quando vi que os pentecostais estavam na mesma categoria dessas seitas, isso me enjoou. E não apenas eles manifestam as algaravias, mas também fazem curas e milagres muito parecidos com os curandeiros pentecostais.

15). O crescimento espantoso do movimento pentecostal também me encucou. O Senhor Jesus disse que a porta é estreita e o caminho apertado e são poucos os que acertam-nos. Então, multidões não entram pela porta estreita e sim pela larga. Elas não andam no caminho restrito e sim no espaçoso e liberal. Quando os pentecostais proclamam que estamos vivendo um grande avivamento, caem num ridículo porque nunca tivemos uma geração de crentes incrédulos, desobedientes, mundanos, imorais. Políticos evangélicos são corruptos, cantores gospel são verdadeiros mercadores, pastores, ou bispos, bispas, apóstolos e apóstolas sãotrambiqueiros. Nunca se barateou tanto a mensagem do evangelho, nunca se vulgarizou tanto a mensagem da cruz do Calvário, nunca as coisas estiveram tão vergonhosas. Avivamento? Onde? O que vemos, isto sim, é um reavivamento do paganismo, do espiritualismo, do misticismo, da fé metafísica. Mas não um avivamento da Igreja de Cristo. Ainda não.

16). Quem está fora do pentecostalismo percebe que eles dão uma ênfase no Espírito Santo em detrimento de Jesus Cristo. Mas o que ocorre é pior que isso. Nem mesmo o Espírito Santo recebe qualquer honra ali. Quando eles enfatizam o Espírito Santo é só por causa do Seu poder. Tudo o que querem é o poder do Espírito para fazerem maravilhas. Então, de fato, nem mesmo é a Pessoa do Espírito que enfatizam, mas o poder dele. E não querem o poder do Espírito para serem bons esposos, bons pais, bons cidadãos, bons políticos, bons ministros de Cristo, mas querem ser poderosos para serem adorados como pequenos deuses. É só por isso que falam muito no Espírito Santo.

17). Li sobre os antídotos que vocês sugeriram para resguardar as igrejas sadias do veneno do pentecostalismo. Achei-os bons, mas temos que ser absolutamente radicais. Não podemos ceder nem um milímetro. Se abrirmos um milímetro o mal entra e aí não há limites. Vejo que muitos crentes históricos pensam que a coisa não é tão grave. Digo que é muito pior do que se pode imaginar. Por isso precisamos nos humilhar debaixo das mãos de Deus e lhe pedir misericórdia.
 
Nelson Nincao - Igreja Reformada de Londrina
http://naziasenotorres.blogspot.com/2011/10/uma-avaliacao-incisiva-e-contundente-do.html