segunda-feira, 25 de abril de 2011

Lausanne: Compromisso Cidade do Cabo 2010

O Compromisso Cidade do Cabo é um documento mestre e abrangente, refletindo fielmente os trabalhos do Terceiro Congresso Lausanne sobre Evangelização Mundial, que teve lugar na Cidade do Cabo, África do Sul em outubro de 2010. É impossível captar o espírito de Lausanne III, em um resumo de três páginas, deve ser interpretada em conjunto com o todo do Compromisso Cidade do Cabo.

O Compromisso Cidade do Cabo está fundamentado na convicção de que "devemos responder à realidade da missão cristã da nossa geração." A missão da Igreja deve levar a sério tanto a natureza imutável da Palavra de Deus como as novas realidades do nosso mundo. O Compromisso Cidade do Cabo reflete a chamada de Lausanne para toda a Igreja para levar o evangelho integral ao mundo todo, é enquadrada na linguagem do amor - amor por todo o evangelho, a Igreja inteira, e todo o mundo. O compromisso tem duas partes: a confissão de fé e um apelo à ação.

PARTE I - Ao Senhor que amamos: A Confissão de Fé do Compromisso Lausanne Cidade do Cabo 2010

As frases iniciais estabelecem o quadro, "A missão de Deus flui do amor de Deus. A missão do povo de Deus flui do nosso amor por Deus e por todos aos quais Deus ama. "

Os cinco primeiros pontos lidam com o nosso próprio amor por Deus. Nós adoramos o Deus vivo, acima de todos os rivais e com paixão pela sua glória. Nós amamos a Deus trino: Pai, Filho e Espírito Santo. Com relação ao Pai, o Compromisso Cidade do Cabo convoca uma renovada apreciação de paternidade de Deus. Em relação ao Filho, ressalta nosso dever de confiar, obedecer e proclamar Cristo. Sabre o Espírito Santo: "Nosso compromisso na missão, portanto, é inútil e infrutífero, sem a presença, orientação e poder do Espírito Santo. ... Não há o verdadeiro ou completo evangelho, nem missão bíblica e fé autênticas, sem o trabalho de Pessoa, e o poder do Espírito Santo.

Os últimos cinco pontos cobrem nosso amor pela Palavra de Deus, pelo mundo, pelo evangelho, pelas pessoas, e pelas missões.

1. Reafirmamos nossa submissão à Bíblia como a revelação final de Deus, e afirmarmos nosso amor para com a Pessoa revelada nela, a história que ele conta, a verdade que ensina, e a vida que ele exige (embora admitindo que muitas vezes confessamos amar a Bíblia sem amar a vida que ela ensina, a vida sacrificial de discipulado prático).

2. Amamos o mundo de Deus, tudo o que ele fez e ama. Isso inclui cuidar da criação, amando todos os povos e valorizado a diversidade étnica, desejar ver o evangelho incorporado em todas as culturas, amar os pobres e sofredores do mundo, e amar ao nosso próximo como amamos a nós mesmos. Isso não significa amar ou ser como 'o mundo' (isto é, a mundanismo).

3. Amamos o evangelho - a história que ele nos conta, a certeza que ele nos dá, e a transformação que ele produz.

4. Amamos o povo de Deus, reconhecendo que tal amor nos chama à unidade, honestidade e solidariedade.

5. Amamos a missão de Deus. "Estamos comprometidos com a missão no mundo, porque é fundamental para a nossa compreensão de Deus, da Bíblia, da Igreja e da história humana assim como o seu futuro final. ... A Igreja existe para adorar e glorificar a Deus por toda a eternidade e para participar na missão transformadora de Deus na história. Nossa missão é inteiramente derivada da missão de Deus, objetivando de toda a criação de Deus, e fundamenta-se na centralidade da vitória redentora da cruz. "Somos chamados para a missão integral, que é a proclamação e demonstração do evangelho.

PARTE II - Ao mundo que servimos: O Compromisso Cidade do Cabo chama à ação

A chamada para a ação utiliza os seis temas do Congresso, que são ligadas às seis exposições de Efésios.

1. Testemunhar da verdade de Cristo em um mundo pluralista e globalizado. O Congresso afirmou a crença na verdade absoluta, e particularmente em Jesus Cristo como a Verdade. Os cristãos, portanto, são chamados a ser pessoas de verdade, para viver e proclamar a verdade. Temos de enfrentar a ameaça do pluralismo relativista pós-moderna com uma apologética robusto. Devemos promover a verdade no trabalho e nos meios de comunicação global. Devemos aproveitar as artes na missão, promover respostas autenticamente cristãs às tecnologias emergentes, e participar ativamente nas áreas de governos públicos, empresas e academia, com a verdade bíblica.

2. Construir a paz de Cristo em nosso mundo dividido e quebrado. Cristo reconciliou os crentes com Deus e uns aos outros, a unidade do povo de Deus é tanto um fato quanto um mandato. A Igreja, portanto, tem a responsabilidade de viver sua reconciliação e se engajar como promotora da paz bíblica, em nome de Cristo. Isso inclui apresentar a verdade e a paz de Cristo, como meios para se vencer o racismo e a diversidade étnica, a escravidão e o tráfico humano, pobreza e grupos minoritários, tais como pessoas com deficiência. Significa, também, que nosso chamado missionário inclui a mordomia responsável da criação de Deus e dos seus recursos naturais.

3. Vivendo o amor de Cristo entre as pessoas de outras religiões. Nossos "Vizinhos" inclui pessoas de outras religiões. Temos de aprender a vê-los como vizinhos e ser vizinhos para eles. Buscamos compartilhar as Boas Novas através de um evangelismo ético, e rejeitamos proselitismo indigno. Aceitamos que a nossa comissão inclui a disposição de sofrer e morrer por Cristo para alcançar as pessoas de outras religiões. Somos chamados a incorporar e recomendar o evangelho da graça em atos de amor, em todas as culturas. Temos de respeitar "diversidade no discipulado", e encorajar uns aos outros a exercer discernimento cultural. Reconhecemos a diáspora global como estratégia para a evangelização: os povos dispersos podem ser tanto os destinatários quanto os agentes da missão de Cristo. Apesar de estarmos dispostos a sacrificar os nossos próprios direitos por causa de Cristo, nós nos comprometemos a respeitar e defender os direitos humanos dos outros, incluindo o direito à liberdade religiosa.

4. Discernir a vontade de Cristo para a evangelização mundial. Seis áreas-chave são identificadas como de importância estratégica para a próxima década: (a) grupos de pessoas não alcançados e descomprometidos, (b) culturas orais, (c) liderança centrada em Cristo, (d) cidades (e) crianças, e todos com (f ) oração. O foco em líderes cristãos é priorizar discipulado e abordar os problemas resultantes de "gerações de um evangelismo reducionista”. Neste contexto, as principais prioridades são a tradução da Bíblia, a preparação de Bíblias de história oral e outras metodologias orais, bem como erradicar o analfabetismo bíblico na Igreja. As cidades são o lar de quatro grupos estratégicos: os futuros líderes, povos migrantes não alcançados, formadores de cultura, e da pobreza extrema. Todas as crianças estão em risco; as crianças representam tanto um campo como uma força missionária.

5. Chamando a Igreja de Cristo de volta à integridade, humildade e simplicidade. A integridade de nossa missão no mundo depende da nossa própria integridade. O Congresso chamou os seguidores de Cristo de volta ao discipulado, humilde sacrifício, à vida simples, e à integridade moral. Precisamos ser separados e distintos do mundo (moralmente). Quatro "Idolatrias" foram apontadas: a sexualidade desordenada, a fome de poder, a busca pelo sucesso, e a ganância. Os verdadeiros discípulos de Cristo devem rejeitá-las. (O evangelho da prosperidade é rejeitada sob a bandeira da "ganância".)

6. Parceria no corpo de Cristo para a unidade na missão. Paulo nos ensina que a unidade dos cristãos é uma criação de Deus, com base em nossa reconciliação com Deus e uns com os outros. Lamentamos a divisão das nossas igrejas e organizações, porque uma Igreja dividida não tem mensagem para um mundo dividido. A nossa incapacidade de viver em unidade reconciliada é um dos principais obstáculos à autenticidade e eficácia na missão. Nós nos comprometemos à parceria na missão global. Nenhum grupo étnico, nação ou continente pode reivindicar o privilégio de serem os únicos a completar a Grande Comissão. Dois aspectos específicos da unidade na missão são: a parceria de homens e mulheres e o reconhecimento da natureza missionária da educação teológica.

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