quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Chegou Dezembro...


“Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios” (Is.42:1)

Cape Town, 07 de Dezembro de 2011

O final do ano chegou trazendo consigo o clima de férias viagens para muita gente, encontros com familiares e amigos e muita agitação em torno dos preparativos que envolvem esse tempo. Mas acima de tudo a maravilhosa celebração da encarnação do nosso Salvador. É Natal! Jesus nasceu! A propósito, Jesus já nasceu em sua vida? É Ele o Rei que conduz seus passos nos 365 dias do ano? Para nós, o final do ano está sendo marcado com o retorno do nosso filho Philipe, depois de oito meses na China. Foi sem dúvidas uma maravilhosa experiência de crescimento pessoal para ele, e para nos também. Somos imensamente gratos pelo enorme apoio que recebeu de nossa colega, Evânia, enquanto lá esteve. Agora aguarda resposta final da Universidade de Western Cape onde pretende cursar Artes Finas.

Este final de ano foi também o fim dos estudos no ensino médio para Leonardo. Ele está radiante por mais essa etapa de sua vida concluída com sucesso. Nesse momento aguarda resposta final da Universidade de Stellembosh, onde foi pré-aceito para cursa Microbiologia a partir de 2012. Estamos todos contentes com mais essa vitória.

No começo do mês de Novembro tivemos que mudar de casa. Foi uma luta para acharmos outra que coubesse no nosso orçamento e atendesse nossas necessidades. Graças a Deus encontramos uma na mesma área que já moramos a mais de 6 anos. Quando fomos ver para alugar a casa estava praticamente destruída, mas era o que podíamos alugar. Tomos coragem e assinamos o contrato com base nas promessas de reforma que seriam feitas pelo proprietário. Graças a Deus, ele fez tudo o que havia prometido e algo mais. Quando mudamos para a casa ele veio nos visitar para nos apresentar sua família que trouxe um delicioso bolo de chocolate. Até nisso vemos a fidelidade de Deus cuidando de nós. Naquela ocasião ele nos fez muitas perguntas sobre nosso trabalho e APMT. Foi uma grande oportunidade para apresentar o trabalho de nossa agência em outras partes do mundo.

Guilherme continua trabalhando a já nos ajuda em algumas despesas. Por estar empregado conseguiu crédito numa companhia (coisa rara para nós estrangeiros) para investir num carro dos seus sonhos, o qual tem nos ajudado muito no trabalho também.

Louvamos a Deus pelas muitas vitórias o Senhor tem dado à nossa família. Iolanda continua recuperando bem, apesar de ainda experimentar dias mais difíceis que outros. Os efeitos colaterais dos medicamentos são mais leves nesse momento e a previsão é de que dentro de alguns meses a situação esteja normalizada.

No momento continuamos trabalhando na revisão do projeto C-STEP (Christian Social Transformation and Empowerment Program) que hoje está sob a supervisão de nossa colega, missionária Silvia Octaviano. Estamos nos reunindo desde meados desse ano e temos contado com a preciosa colaboração das irmãs Vânia Pereira e Aldely Natali, além dos colegas pastores Jorge Neves e Gabriel Câmara. Esperamos poder terminar os trabalhos de revisão até final do primeiro trimestre de 2012.

A Base do Sol da África realizou seu o Primeiro Seminário na área de cuidado missionário, sobre Saúde Emocional. Todos os nossos missionários e familiares participaram e contamos com a participação de colegas e colaboradores de outras agências. No total foram 27 participantes. Tina, missionária do Madasgascar, trabalhou com as crianças e Rev. Dr. John Freeth abordou o tema com os demais. Foi um tempo precioso de aprendizado e reflexão.

Os trabalhos na Igreja Presbiteriana da Comunidade do Kenilworth, com a qual temos parceria, continuam gerando frutos para a glória do Pai. As classes de EBD funcionaram durante todo o ano. Devido o aumento no número de crianças, outras classes foram criadas. Nesse aspecto temos uma clara resposta de oração. Quando começamos freqüentar essa igreja centenária os cultos não passavam de 20 pessoas idosas e não havia nenhuma criança. Numa daquelas reuniões o presbítero Peter (já bem idoso) ficou de pé e pediu a Deus para nos dar crianças. Hoje são mais de 20 crianças atendendo Escola Dominical.

Motivos de agradecimento
·         Pelo primeiro evento sobre cuidado missionário realizado pela Base do Sul da África
·         Pela boa casa que conseguimos em tempo
·         Pela contínua recuperação da Iolanda
·         Pelo tempo do Philipe na China e sua chegada em paz a Cape Town
·         Pelo trabalho do Guilherme e o sonho conquistado
·         Pelo fim bem sucedido dos estudos do Leo no ensino médio

Motivos de intercessão
·         Renovação dos Vistos do Philipe e do Leo. Precisamos do equivalente a R$5.600,00. Não dispomos desse montante extra e precisamos de uma intervenção de Deus para que nossos filhos não sejam prejudicados nos estudos.
·         Viagem da Silvia e Laura ao Brasil. Pelos vários trajetos que terá que fazer para atender aos diversos compromissos num curto espaço de tempo.
·         Viagem a Moçambique. Devo passar uma semana em Maputo com nosso colega Luciano Azevedo que vem fazendo um excelente trabalho junto à Igreja Presbiteriana de Moçambique. Ore pelos encontros e reuniões que teremos ali.
·         Recursos financeiros para pagarmos a Universidade do Leonardo e Philipe em 2012, aproximadamente R$30.000,00 para os dois no decorrer do ano.

Em Cristo Jesus, seus cooperadores,

Rev. Gessé Almeida Rios (pela família)


Contribuições para o ministério do Rev. Gessé e família podem ser feitas das seguintes maneiras, sempre usando o código 0,14 em centavos (exemplo: R$ 50,14):
Banco do Brasil - Agência: 0635-1 (Cambuci) - C/C: 7500-0;
Banco Bradesco - Agência: 119-8 (Cambuci) - C/C: 107965-4;
Transferência online - CNJP: 04.138.895/0001-86;
Boleto bancário – Neste caso ligar para o (011 3341 8339) solicitando boletos bancários para efetuar o depósito.

domingo, 4 de dezembro de 2011

JÁ LHE OCORREU QUE VOCÊ PODE ESTAR ERRADO?

SÁBADO, DEZEMBRO 03, 2011


O Pastor Ed René Kivits negou qualquer associação com o teísmo aberto. De modo geral, ele disse duas coisas: que crê que Deus é eterno (supratemporal) e, portanto, conhece o futuro, e que também não acredita em um determinismo. (http://noticias.gospelprime.com.br/ed-rene-kivitz-diz-que-teismo-aberto-e-uma-besteira/). Para uma fala rápida em um momento informal, o pastor Kivits realmente “mandou ver” – mas, ainda assim, a coisa não é tão fácil, e nesses assuntos, uma autossuspeita sadia é um santo remédio. Cá para nós, depois de ter dado nó nos neurônios, vai um nó na língua: antes de dizer que alguém é isso ou aquilo, utilizando palavras de contacto (como determinismo, processo etc.), deveríamos obedecer à direção de Deus, de examinar pessoalmente para ver se os fatos são reais, pois as possibilidades são muitas.

No entanto, gostei – especialmente depois de ouvir um zunzum sobre esse tal pretenso “namoro” com o deus da moda – apesar de eu ter ficado com um ruído na cabeça. Afinal, como é que fica uma soberania que não determina. E onde ficam textos como “determinado desígnio de Deus” (Atos 2.23), “todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas” (Hebreus 4.13), “tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade” (Atos 1.7), e “... eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” (Isaías 46.9-10)?

De início, há o ponto do estabelecimento do campo da discussão. Sempre que partirmos de uma perspectiva para a totalidade (p.e., de um ponto de vista apenas moral ou social, econômico, psicológico) acabaremos mais é com torcicolo. Para falar de Deus, teremos de abordar a questão a partir da fé (resposta do homem à revelação), senão estaremos falamos de algo que pressentimos sem jamais poder assegurar (ver Hebreus 1.1,3,6). Com efeito, só o pensamento de uma fé em Deus já pressupõe uma revelação; de outro modo, como saber o infinito invisível? E não poderá ser qualquer revelação, mas uma interpretação do próprio Deus acerca de si mesmo, do homem e do mundo, possível de ser entendida e documentada a fim de possibilitar concordância – isto é, a Bíblia.

A Bíblia apresenta a Deus como sendo eterno, infinito, todotudo, causador não causado, que basta a si mesmo, e criador de toda a realidade; um Deus transcendente e imanente e, ao mesmo tempo, o sustentador de toda a realidade. Especialmente, a Escritura diz que ele é bom e justo. Mas daí vem uma pergunta: como é que um Deus bom “criou” ou permitiu a existência do mal? Bem, aqui vai uma ideia que não deverá ser considerada como declaração teológica, mas como abstração teórica. Como disse Francis Schaeffer, o mal não tem existência própria, mas deriva-se do bem quebrado. O bem, sim, tem existência própria na própria essência do Criador. Portanto, O mal é o bem quebrado. 

Considere isto: o mundo não poderia ter sido criado “dentro” de Deus, pois seria impossível haver dois eternos infinitos nem quebrar a unidade e pluralidade divina a fim de comportar outra existência idêntica. Não poderia também ser criado “à parte” de Deus, pois não haveria essência que o mantivesse. O mundo certamente foi criado fora de Deus e menor do que Deus. Ora, Deus é bom, o único bem, e qualquer coisa que não seja Deus terá de ser, por natureza, menos do que bem e, portanto, passível de ser mau. (Difícil de entender? Imagine um espaço único, em que tudo partilha o mesmo cenário; quando um muro é erguido, o espaço é dividido, apresentando dois cenários. “Pegou”?) Enquanto “em Deus”, o mundo usufruía o bem do criador e sustentador de todas as coisas; “sem Deus” (isto é, na intenção do coração, pois nada há que fuja ao controle de Deus), o bem se rompeu no não bem, isto é, o mal.

Não obstante, as trevas não prevaleceram contra a luz da soberania de Deus. O mal não significou embaraço para o bem, mas, sim, a realização do propósito divino de revelar a totalidade do bem àqueles que por um pouco foram feitos menores do que deuses (Salmo 8).  No pacto interno da Trindade, Deus havia planejado realizar o que, para nós, é impossível: criar um novo ser segundo sua própria natureza – a suprema vitória do bem!

Como? Deixe-me fazer uma digressão. Poderia Deus criar uma pedra que ele mesmo não pudesse levantar? Para nós, a quem possibilidade e fato são elementos excludentes, a resposta será: Não. Contudo, para o Deus eterno, criador, não há restrição entre fato e possibilidade, pois sua vontade se sobrepõe não apenas ao tempo e espaço, mas a qualquer contingência. Pela sua palavra, Deus pode criar a pedra e, pela mesma palavra, carregá-la. Assim, voltando ao como: Deus criou o homem menor do que ele mesmo e, mediante a obra redentora de Cristo (encarnação, vida de obediência, morte, ressurreição e ascensão), elevou-o à participação em sua própria natureza (2Pedro 1.4). Portanto, o que recebemos de Deus é o bem e não o mal. O que recebemos de Deus é a graça que justifica a maldade do ímpio.

Essa dificuldade para entender as coisas de Deus na relação com o homem e com o mundo está em que nós, seres finitos e temporais (e ainda por cima decaídos), só podemos pensar em termos duais de fato e possibilidade. Não compreendemos naturalmente um ser para o qual fato e possibilidade sejam modos imediatos. Por exemplo, para nós, seres singulares, ou estamos sentados ou em pé. Para o Criador, contudo, que é eterno infinito, um e muitos (Trindade), estar “sentado” e em “pé” é uma prerrogativa de sua vontade.

Outra dificuldade é entender que não há dois seres com a mesma realidade, isto é, Deus e nós. A Bíblia diz que Deus é o ambiente do homem (Atos 17.25-28). Noutras palavras, o EU SOU encapsula o que somos. Para ilustrar, imagine um grande círculo que compreenda toda a realidade criada, tempo, espaço e matéria: Deus, como criador, está fora desse círculo e, ao mesmo tempo, em controle, presente e com autoridade sobre ele. Nós, como criaturas, estamos dentro do círculo e sujeitos aos propósitos do Criador. Assim, não existem duas vontades soberanas, mas uma vontade divina superimposta ao círculo e toda abrangente, e, outra, humana, sujeita às normas, situações e dramas existenciais sempre em referência à primeira (teorreferência). Agora, imagine que dentro do círculo, sob a vontade de Deus, perpasse um cabo com miríades de fios, representando as possibilidades da nossa vontade. Para Deus, um mínimo fio de cabelo, mas, para nós, um potencial de liberdade que jamais conseguiríamos usar. Todos os fios da história estão controlados e todos seguem a mesma direção, para o propósito final de Deus.

Onde o segredo? Deus o revelou a Jó, no exercício de sua vontade soberana e pactual: “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? .... Acaso, anularás tu, de fato, o meu juízo? Ou me condenarás, para te justificares (Jó 38.4-5;40.8)?” A própria conversa de Deus com Jó aponta para o seu desígnio de redimir a vontade limitada do homem para a conformação com sua vontade infinda. (Veja Romanos 12.1-3 e Efésios 3.8-12).

Wadislau Martins Gomes

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Luta contra AIDS

Hoje é o Dia Internacional da luta contra a AIDS. Enquanto não se descobre uma vacina para o vírus HIV, milhões de crianças, jovens e adultos continuam sendo infectados. A situação é mais grave nos países da África, sendo a África do Sul o país mais afetado. Hoje mais de 6 milhões de pessoas na África do Sul são portadoras do virus. Isso significa aproximadamente 12,5% da população do país. São centenas de milhares de crianças órfãs por causa da AIDS e muitas delas convivendo pessoalmente com o virus.

O que podemos fazer? Creio que além agir com amor para com aqueles que convivem diretamente com esse drama ao invés de preconceito, podemos orar por eles e por aqueles que trabalham nas pesquisas para descobrir uma vacina. Podemos contribuir com iniciativas que apoiam a causa contra a AIDS. Podemos ainda servir como voluntários em casas de apoio a crianças e adolescentes portadoras do virus. Só não podemos é ficar de fora dessa luta. São oportunidades para dixar a luz de Cristo reflitir em nossa sociedade. Vamos agir!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Quem está no controle?

Às vezes nos perguntamos, por que os problemas nunca cessam? Acho que nem precisamos ir longe pra responder essa pergunta. A complixidade da vida gera problemas, decisões erradas (nossas e dos outros) geram problemas, crincunstâncias contrárias aos nossos planos geram problemas, situações sobre as quais não temos nenhum controle geram problemas, enfim, problemas fazem parte da vida e precisam ser encarados como tal. A melhor forma de olhar para eles é assumindo que não podemos controlar nada, mas entender que o Todo Poderoso tem tudo em Suas mãos e nada, eu disse, NADA, foge ao Seu controle.

É assim que, como crentes, precisamos vivar. Amanhecer cada dia consciente de que os desafios que temos pela frente está em Boas Mãos. Seja em meio a lutas e sofrimentos ou não, o Senhor está no trono regendo soberanamente e não nos deixará sós, desassistidos. Esta é uma promessa Sua (I Sam. 12:22; Jo. 14:16, 18, 27, etc.)

Temos lutas sim, mas também muitos motivos para louvores:
1. Pela casa que conseguimos em tempo hábil.
2. Pelo tempo do Philipe na China, pelo aprendizado e crescimento pessoal.
3. Pela vida da Enânia que ofereceu todo apoio para que isso acontecesse.
4. Pelo fim dos estudos do Leo e pela pré-aprovação para cursar Microbiologia na Universidade de Stellenbosch.

Quantos às lutas, orem pelos seguintes motivos:
1. Pela situação dos vistos do Philipe e Leonardo que precisam ser renovados em Dezembro.
2. Pela aplicação do Philipe para cursar Artes Finas na UNISA, para que seja aceito caso seja esse o plano de Deus para sua vida.

Somos imansamente gratos por orarem conosco nesse sentido.

Rev. Gessé e Família

Facilitando seu envolvimento

Saudações da Base da APMT

Graça e Paz!

Para você que deseja contribuir com os nossos missionários, ou apoiar algum dos nossos Projetos, a APMT disponibiliza, a partir deste mês, uma série de opções que facilitarão o seu envolvimento na obra missionária transcultural da IPB. Além do boleto bancário e transferência online, já usuais, você poderá fazer sua contribuição utilizando os seus cartões de crédito, débito e outros dispositivos conforme bandeiras abaixo:
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Acesse o nosso site e confira! O acesso é fácil e seguro: www.apmt.org.br/contribua/

E, para aqueles que são alunos do curso CFM (Centro de Formação Missiológica) ou que têm interesse em cursar um dos módulos desse curso, os pagamentos poderão ser feitos online, através de cartão de débito/crédito, transferência* ou solicitação de boleto bancário.

Esperamos, dessa forma, facilitar o seu envolvimento, contribuindo, assim, para a expansão do Reino de Deus.

Desde já, agradecemos a atenção e o apoio,
Pelos ainda não alcançados

Rev. Marcos Agripino C. Mesquita
Executivo APMT
Missionário na Base

* Para transferências online é indispensável o uso do CNPJ da APMT: 04.138.895/0001-86
 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Notícias de Outubro


Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou cabeça de todas as coisas para a igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas, em toda e qualquer circunstância. Efésios 1:22 e 23

Cape Town, Outubro de 2011

Primeiramente agradecemos suas orações e resposta em nos ajudar a atender em situação emergencial no caso do agravamento do estado de saúde emocional da Iolanda.  Pela graça de Deus sua recuperação está acontecendo aos poucos. Nesse momento está no processo de redução da medicação usada para atacar no momento das crises. Até final de novembro já deverá ter finalizado a retirada de dois dos quatro medicamentos. Deverá continuar com outros dois por mais algum tempo e depois iniciar um programa de retirada de um deles. O alvo é ficar apenas com um até um dia poder retirar totalmente, se ela e os profissionais que a acompanham assim entenderem.

As terapias com Dr. John Stanton Freeth tem sido de fundamental importância nesse processo. Através delas descobrimos que Iolanda sofre de uma desordem chamada SAD (Desordem da Ansiedade da Separação) cuja origem remonta à sua infância. Em meio a essa situação algo que tem chamado nossa atenção, ou seja, a grande quantidade de cartas e mensagens de pessoas se solidarizando com a situação da Iolanda. Temos percebido que a liberdade da Iolanda em compartilhar sua situação abertamente, livre de preconceitos, tem servido de encorajamento para muitas pessoas que passam pela mesma situação ou até piores. Há pessoas que literalmente agradecem o fato de compartilharmos nossas lutas nessa área, pois ao fazermos isso estamos nos identificando com elas. Deus tem propósitos mesmo naquilo que não Lhe pedimos, não entendemos e nem queremos.
Dia 18 de setembro completei 50 anos. Nossos colegas e amigos nos deram (a mim e a Iolanda) duas noites num Hotel Fazenda no deserto do Karoo, a 230 km de Cape Town. Foi muito bom descansar um pouco e fazer o que gosto, que é estar em contato direto com a natureza. Aproveitei para fazer algumas fotos de flores nativas do deserto do Karoo que nesta época do ano é um espetáculo à parte.

Nossos filhos estão bem, graças a Deus. Estamos na expectativa do retorno do Philipe da China, previsto para dia 06/11/2011. Somos imensamente gratos a Deus pelo apoio que recebeu de nossa colega missionária, Evânia. Estamos ansiosos pela chegada dele para matar a saudade, ouvir suas histórias e começar os preparativos para a Universidade. Leonardo está se dedicando à bateria de exames finais que deve durar até final de novembro. Também está aplicando para Universidade no próximo ano. Guilherme segue firme no trabalho e bem mais motivado. Auxilia na igreja em algumas áreas, principalmente tocando bateria no louvor.

No dia 15 de agosto recebemos uma notícia muito triste e outra um tanto desagradável. A notícia triste foi sobre o falecimento de Nininha, uma prima muito querida da Iolanda. Era uma pessoa amável, crente fiel e dedicada nas coisas de Deus. Casada e mãe de dois filhos, membros da Igreja Presbiteriana do Setor Universitário em Goiânia. Ainda estamos superando a saudade. A notícia desagradável foi a de que precisávamos encontrar outra casa, pois a que moramos desde janeiro de 2007 seria colocada a venda. Depois de muita procura, pela graça de Deus encontramos uma perto de onde moramos e não muito distante do nosso orçamento que nos foi confirmada hoje. Dia 01/11/11 estaremos mudando, se Deus permitir.

Estamos contentes de ver a Escola Bíblica Dominical da KCPC (Igreja Presbiteriana da Comunidade do Kenilworth) em pleno funcionamento e as pessoas se beneficiando do ensino. A freqüência tem sido boa e o número de crianças na igreja só aumenta. Agora, além das 4 classes para adultos, já existem 3 classes para crianças. Há muito chão a caminhar ainda, mas cremos que Deus está conduzindo as coisas dentro do seu propósito.

Nesse momento estamos revisando e reescrevendo o projeto C-Step, buscando maior participação da igreja do Kenilworth em sua gerência, uma vez que se trata de um projeto da APMT em pareceria com a Igreja, para a comunidade. Temos dado mais atenção a famílias de refugiados em situação de crise. Quatro crianças continuam tendo suas necessidades escolares atendidas integralmente. Concluímos mais um curso na área de inclusão digital e decidimos que outros serão oferecidos só a partir de 2012 em parte porque precisamos gastar mais tempo com reuniões para reestruturação do projeto, sem contar que precisamos preparar nossa mudança de casa e a Silvia se organizando para retornar ao Brasil para um mês. Alunos de digitação, no entanto, continuarão sendo atendidos. Mais um curso de costura de 8 semanas acaba de iniciar. O curso de pintura em tecido foi interrompido em função do tratamento da Iolanda. Deverá retomar no início do próximo ano.

Quanto aos trabalhos da Base Sul da África, devemos ir a Moçambique até final desse ano. Dia 26/11/11 teremos nosso primeiro seminário organizado para os missionários que estiverem na cidade do Cabo, no qual será abordado tema a saúde emocional, cuidados que se deve ter.

A seguir, motivos para nos acompanhar em suas orações:
Motivos de louvor
  • Pelo cuidado de Deus nos momentos críticos pelos quais Iolanda tem passado nos últimos meses e pela APMT, pessoas e igrejas que Deus tem usado para nos ajudar para nos oferecer apoio;
  • Pelas oportunidades de serviço, aprendizado e crescimento pessoal do Philipe na China;
  • Pelo bom desempenho do Guilherme no trabalho e seu envolvimento com a Igreja;
  • Pela superação do Leonardo nos estudos;
  • Por termos achado outra casa na vizinhança onde moramos;
  • Pelos 50 anos de vida que Deus me deu.

Pedidos de oração
  • Por definição quanto aos estudos do Leonardo e Philipe em 2012. Pelas respostas das universidades e recursos financeiros para custeá-los;
  • Por minha viagem a Moçambique e encontro com lideranças presbiterianas ali;
  • Pela continuação no tratamento da Iolanda;
  • Pelo Primeiro Seminário sobre Saúde Emocional de Missionários;
  • Pela nossa mudança dia 01/11/11.

Seus, por causa de Cristo,

Rev. Gessé Almeida Rios (pela família)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Carta aos Desanimados



Por Ronaldo Almeida Lidório
 
Como resgatar sua fé durante a caminhada cristã


Durante a caminhada da vida há momentos em que as cores passam a alternar apenas entre tons opacos e sombrios. O que antes despertava paixão, agora parece um fardo. O que encantava o coração torna-se um peso. A alegria é substituída pela apatia, o ardor pela dúvida, a disposição pela desesperança.

Há diversas causas para o desânimo profundo, tanto as biológicas quanto as emocionais e espirituais. Há aqueles que perdem o sabor pela vida a partir das tragédias que se abatem sobre seus dias. A perda de um parente, o desemprego que chega, o casamento que se desfez ou o filho que parece não voltar. Outros perdem a alegria devido a gatilhos mais biológicos, de enfermidades físicas prolongadas ou crises de ansiedade, estresse, depressão e síndromes que teimam em permanecer. Há também os que se encontram desanimados pelo próprio distanciamento do Pai. A vida devocional e os assuntos do Alto já não fazem parte de sua rotina. Não há tempo para orar, ler a Palavra ou cultuar a Deus. O resultado, cedo ou tarde, é o sofrimento e o desânimo da alma.

Um dos cenários bíblicos mais angustiantes que aparenta total exaustão e profundo desânimo se passa com Davi. O desfecho foi surpreendente e o que aconteceu com ele pode acontecer conosco.

Davi é um exemplo de inscontância humana como talvez nenhum outro personagem na Palavra. Foi guerreiro implacável e na força de Deus derrotou o gigante Filisteu. Por outro lado adulterou com Bate-Seba e traiu Urias, um de seus leais soldados. Reconstruiu Jerusalém que passou a ser chamada cidade de Davi, porém magoou seus filhos e foi um desastre como pai. Era temente ao Senhor e foi chamado homem segundo o coração de Deus, entretanto, em sua família houve incesto, assassinato, mentiras e traição. Talvez a inconstância tenha sido uma das principais marcas da trajetória deste servo de Deus.

Entre montanhas e vales ele chegou a um dia, dentre tantos, que o tomou por completo e exaustivo desânimo. No retorno de uma cansativa batalha, ele encontrou Ziclague, a cidade que habitava, saqueada e destruída. Todas as mulheres e crianças haviam sido levadas cativas. A cidade era um monturo de cinzas. Seus homens e amigos leais, agora amargurados, falavam em apedrejá-lo. E ali se encontra Davi, caído, sem consolo e esperança vendo suas forças faltarem. Não apenas forças físicas, mas as forças da alma. Talvez tenha sido um dos raros momentos em sua história que ele se enxerga sem ação.

Mas algo inesperado acontece com aquele homem caído. Diz a Palavra que “Davi se reanimou no Senhor seu Deus”. Esta frase, encontrada no primeiro livro de Samuel, capítulo 30, verso 6, revela-nos uma das mais poderosas ações de Deus na vida de seus filhos: levantar-nos quando tudo parece perdido; abrir o caminho quando não sabemos para onde ir; dar-nos perseverança quando a vontade é parar.

O que mais me intriga é que este “reânimo” veio absolutamente do Senhor, pois não havia ali elementos de esperança. Seu coração fraquejou, seus amigos lhe faltaram, as forças físicas estavam consumidas. Porém, ali, ele “se reanimou no Senhor seu Deus”.

E, reanimado, se levantou. Davi perseguiu os amalequitas com alguns de seus homens, tomou de volta as mulheres e crianças e ainda o despojo que partilhou entre todos. Reconstruiu a cidade e habitou nela. Recuperou o respeito de seus homens com o brilho de quem um dia iria reinar sobre todo Israel.

O reânimo é uma experiência íntima e profunda, que se passa de forma diferente na caminhada de cada um. Se os cenários de nossas vidas são distintos, bem como aquilo que nos abate, a fonte do nosso reânimo é a mesma: o Senhor nosso Deus.

Percebo que os conflitos relacionais e a crítica interpessoal são dois frequentes causadores de profundo abatimento de espírito. Perante estes, muitos gigantes da fé já foram nocauteados e perderam o fôlego. Se é este o seu caso talvez você se sinta, de alguma forma, como Davi naquele dia. Após voltar de uma batalha em que lutou lado a lado com seus homens, e juntos prevaleceram, agora estes falam em apredrejar-lhe. A crítica possui a capacidade de gerar ansiedade crônica na alma humana. Se não for tratada, ela passa a ser o seu último pensamento ao dormir e o primeiro ao acordar. Ela faz o seu coração disparar perante a simples lembrança do comentário que foi lançado contra você. Talvez um dos instrumentos de maior abatimento nas relações humanas seja, justamente, a crítica. Perante ela há uma escolha – infeliz – de alimentar o rancor no coração e jamais se esquecer. Isto o levará a uma trilha na qual você perderá a brandura e o amor. Você não será mais o mesmo. A outra escolha – feliz – é de entregar ao Senhor aquilo que você não pode resolver, responder ou apagar... e descansar. A reação do Alto será a mesma que visitou Moisés no deserto, Elias na caverna e Davi em Ziclague: Deus o reanimará.

É preciso lembrar que o Senhor nos criou com corações ensináveis. Assim, devemos sempre nos lembrar daquilo que nos traz esperança. A esperança cura a alma e prepara o espírito para o que Deus fará. Podemos a cada dia orar pedindo que nossa vida não se torne um poço de ressentimentos, que não fiquemos para sempre caídos, que o desânimo – seja físico, emocional ou espiritual – não nos derrote. Podemos rogar que aquilo que - de forma fantástica - aconteceu com Davi em Ziclague, aconteça também conosco: sermos reanimados pelo Senhor nosso Deus!

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Ronaldo Lidório, doutor em antropologia, é missionário da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais e da Missão AMEM. É organizador de A Questão Indígena -- Uma Luta Desigual

http://www.creio.com.br/2008/noticias01.asp?noticia=15592

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Pastor e igreja deixam pentecostalismo e se tornaram Igreja Reformada




Uma avaliação incisiva e contundente do movimento pentecostal, escrito por um pastor que passou mais de 30 anos dentro do movimento. É uma conversa informal que foi transcrita.


1). O que o irmão citou sobre o Pentecostalismo realmente não é tudo. Porque o que acontece lá dentro é muito, muito pior. Eu estive mais de trinta (30) anos dentro daquele movimento. Vi quase tudo o que ocorre lá dentro. É de arrepiar. Hoje, depois que o bom Deus abriu os meus olhos, vejo o quanto eu estava enganado. Sair do Pentecostalismo, para mim, foi uma das maiores bênçãos da minha vida. Nesses anos todos em que estive lá dentro a única coisa boa que posso falar de lá é que há forte motivação e entusiasmo para fazer as coisas. Os pentecostais são muito dedicados. Mas, diga-se de passagem, os Mórmons, Testemunhas de Jeová e Maometanos também o são. Muitos dos pentecostais também são muito sinceros e realmente querem agradar a Deus, mas estão cegos. Têm um zelo sem entendimento (Rom. 10.2).

2). Eu comecei a conhecer o Evangelho numa igreja pentecostal. Eles não davam ênfase na leitura da Bíblia, mas eu queria conhecer a Palavra de Deus. Fui ensinado que os demais crentes, evangélicos não tinham o Espírito Santo. Também fui ensinado que os pastores são ungidos de Deus, quase infalíveis. Ninguém podia julgar o que diziam. Ai daquele que tocasse o “ungido de Deus”. Seria amaldiçoado. Aliás, amaldiçoar as pessoas que discordam deles é uma prática comum no meio pentecostal. Eu mesmo fui vítima dessa maldição algumas vezes. Dois líderes que mais considerava me amaldiçoaram.

3). Línguas estranhas. Aqui foi onde tudo começou. O movimento pentecostal começou com a chamada “segunda bênção”, que tinha como sinal ou evidência o “falar em línguas”. Todos ali são quase que obrigados a falar em “línguas”. Durante todo esse tempo que estive ali eu nunca ouvi uma língua estrangeira ou um dialeto. O que ouvia eram algaravias, - sons incompreensíveis que não dizem nada e que cada um interpreta como quer. As “profecias” eram sempre em torno de coisas óbvias, ou coisas que ninguém podia provar, e até bobagens como “profecias” sobre a vida dos outros, relacionamentos, vestimentas, etc; as “revelações” nunca podiam ser comprovadas. Se era sobre alguma enfermidade, geralmente nem mesmo a própria pessoa tinha conhecimento da enfermidade. Assim por diante.

4). Mais tarde alguns setores do movimento pentecostal não enfatizavam tanto a necessidade do falar em “línguas”, mas o ensino sobre uma “segunda benção”, uma experiência após a conversão, continuou sendo ensinado. Essa “segunda benção”, não é de graça ou por graça. Você tem que “pagar o preço”. Oração, jejuns, santificação, busca, busca e mais busca. E mesmo assim, nem todos a recebiam. Eu ficava desesperado. Achava que não era crente. Pensava que Deus não me amava. Após anos de angustiante luta pela “benção” que nunca vinha, fui ensinado a tentar emitir alguns sons com a boca. Qualquer coisa servia – glo-glo-glo-glo... alabas-alabas-alabas... ripalá...balalá... etc. De repente você está “falando em outras línguas”. Quando não lhe vem nada a mente você fica observando como os outros falam e você os imita. Quem está fora do movimento vê o absurdo, mas quem está lá dentro acha aquilo normal. Fui ensinado a não pensar mas apenas sentir. Se alguém não consegue “falar em línguas” é porque tal pessoa é muito racional. “Não pense” diziam “apenas flua, deixe o espírito fluir”. É verdade que há também os que “fluíram” a coisa sem muito esforço, mas a maioria pena para consegui-lo.

5). Depois que você “aprende” a balbuciar as algaravias, você fica dependente delas e não consegue mais orar sem que aquela coisa lhe encha a mente. É maligno! Todos que “oram em línguas” (algaravias) precisam de libertação. Precisam desaprender aquilo que aprenderam. As algaravias atrapalham você de orar, porque a oração deve ser pensada e quando você pronuncia as tais algaravias não precisa pensar em nada, ou pior pode pensar em qualquer coisa, menos no que está falando. É ridículo!

6). Quando numa reunião todos começam a dançar e falar algaravias, uma ‘alegria’ geral toma conta do ambiente e vira uma “farra”. Um solta gargalhadas, outro cai ao chão, outro pula, treme, etc... Claro que isso não acontece em todas as reuniões. Mas acontece demais por lá. Os pentecostais são ávidos por novidades, e não pelas “antigas veredas” (Jer. 6.16).

7). Espiritualidade de fato, nunca vi ali dentro. Vi, isso sim, muita carnalidade. As pessoas “falavam línguas” mas mentiam, roubavam, adulteravam, brigavam, agiam com brutalidade, faziam negócios escusos, enganavam os irmãos, eram insensíveis, deselegantes, etc. Isso tudo eu vi, e não uma só vez, mais muitas vezes. Eu poderia falar indefinidamente, por horas. De modo que o tal ‘enchimento’ do Espírito não adiantava nada.

8). O que me fez sair de lá? Primeiro é Deus quem nos abre os olhos. É exatamente como na conversão ou como para alguém sair de uma seita. Só Deus. Mas por outro lado, vários fatores me motivaram a sair daquele movimento. Primeiro eu via que, embora nos dissessem que conosco acontecia exatamente igual como no primeiro século da Igreja, eu nunca vi, nem as línguas, nem os sinais apostólicos, nem as maravilhas que aconteceram no primeiro século. Em mais de 30 anos eu nunca vi algo que realmente me reportasse aos tempos apostólicos. Nunca. Nada. A falsificação é bem ruim. Havia uma preocupação dos pastores com o falso, isto é, crê-se que muito do que acontece no meio pentecostal é falso, mas que existe o verdadeiro. Mas enquanto se está atrás do suposto “verdadeiro” todos acabam envolvendo-se com o falso.

9). Eu via que na Bíblia era muito diferente. E ficava deprimido por não ver acontecendo aquilo em nosso meio. Claro, nem podia ser diferente, pois a época dos milagres apostólicos já passou. Os apóstolos passaram. Os sinais dados por Deus para autenticar a mensagem apostólica também ficaram no passado. Demorei para entender isso, mas entendi a tempo. Li muitos livros antigos, dos homens sérios do passado. Então vi que algo estava errado. Ou com eles ou conosco.

10). Eu aprendi a observar a história da Igreja. Temos muito a aprender com a história. A Igreja de Cristo existiu na terra por 1900 anos sem o movimento pentecostal. Irmãos e irmãs, enfrentaram Roma, os Césares, os Papas; encararam as feras, as arenas, as piras ou fogueiras, escreveram livros que nos abençoam até hoje, e tudo isso fizeram “sem o Espírito”??? Será que aqueles irmãos não foram cheios do Espírito??? Segundo os pentecostais, só eles têm o Espírito e essa bênção foi descoberta só pelo final do século XIX e início do século XX. Teria Deus deixado Sua Igreja na terra por 19 séculos sem uma bênção tão especial e necessária??? E se aqueles irmãos do passado não tinham essa bênção, como conseguiram enfrentar o que enfrentaram? Vencer e trazer a chama do Evangelho até nossa geração? E mais, se eles não receberam o Espírito Santo porque não buscaram, então eles cometeram um grande erro. O fato é que eles foram muito diferentes dos crentes das últimas gerações. Então ou eles erraram lá ou nós erramos cá. Os dois grupos não podem estar certos. Um dos dois está errado. E eu prefiro crer os irmãos (remanescentes) daqueles 19 séculos estavam certos, e os pentecostais estão errados.

11). Há alguns anos fizemos um estudo sobre os efeitos do movimento pentecostal sobre a Igreja, seus principais expoentes, e vimos que esse movimento dividiu, criou inimizades, e seus principais líderes se envolveram com falsos ensinos, heresias, escândalos morais, crimes, etc. Por esse estudo eu vi onde desembocou esse movimento. Toda heresia, toda irreverência, toda adulteração nos cultos, todo mundanismo dentro das igrejas, todo comércio vergonhoso do evangelho que vemos hoje, tudo isso teve sua origem no movimento pentecostal. Se não tudo, pelo menos 99%. Disso estou certo. Outra coisa que chamou-me a atenção foi que todos os livros profundos sobre teologia, comentários bíblicos, etc, foram escritos por não-pentecostais. Dos escritores e teólogos pentecostais só li coisas superficiais e de pouca utilidade.

12). A experiência (negativa) também ajudou bastante em minha decisão de abandonar o pentecostalismo. Eu havia sido ensinado a não aceitar nenhuma doença. Contudo eu tenho enxaqueca e nunca fui curado. Deus tem orientado o tratamento e hoje estou muito melhor. Deus me ensinou que ninguém tem o dom de curar hoje. Ele cura, quando assim deseja, mas se não, Ele irá sustentar nossa vida com Sua graça. E esse é o melhor para nós. Contudo, vi pessoas declarando que estavam saudáveis, confessando que não estavam doentes, que não aceitavam nem mesmo o diagnóstico médico, as vi morrerem doentes e brigando com Deus e revoltadas com Ele. Minha esposa é médica. Ela me conta que atende inúmeras pessoas evangélicas, principalmente das igrejas pentecostais e carismáticas, que estão doentes, deprimidas, agitadas, perturbadas emocionalmente, desequilibradas. Muitas dessas pessoas são líderes em suas igrejas (pastores, presbíteros, líderes de célula, líderes de coral, integrantes de bandas, etc. Hoje eu sei que o pentecostalismo faz muito mal à saúde das pessoas.

13). Se você falar com um pentecostal, talvez ele aceite que existe muita coisa falsa por lá – línguas falsas, curas falsas, revelações falsas – mas ele continua crendo que existe o verdadeiro. Agora, eu nunca vi nada ali que fosse digno de ser testemunhado. De fato, tenho é muita vergonha do meu tempo no pentecostalismo. Mas creio que o Deus Soberano usa todas as coisas para nos ensinar.

14). Outra observação que me fez aborrecer o pentecostalismo foi quando comprovei que não éramos os únicos que “falávamos em línguas” (algaravias), mas que isso era também “privilégio” dos Católicos Romanos Carismáticos, adoradores da Virgem Maria (ou melhor, da Deusa-Mãe), também dos Espíritas, invocadores de estranhas entidades, e também dos Mórmons que seguem o falso profeta Joseph Smith e seu anjo Moroni, e que até os Hindus e Maometanos “falam línguas” (algaravias). Quando vi que os pentecostais estavam na mesma categoria dessas seitas, isso me enjoou. E não apenas eles manifestam as algaravias, mas também fazem curas e milagres muito parecidos com os curandeiros pentecostais.

15). O crescimento espantoso do movimento pentecostal também me encucou. O Senhor Jesus disse que a porta é estreita e o caminho apertado e são poucos os que acertam-nos. Então, multidões não entram pela porta estreita e sim pela larga. Elas não andam no caminho restrito e sim no espaçoso e liberal. Quando os pentecostais proclamam que estamos vivendo um grande avivamento, caem num ridículo porque nunca tivemos uma geração de crentes incrédulos, desobedientes, mundanos, imorais. Políticos evangélicos são corruptos, cantores gospel são verdadeiros mercadores, pastores, ou bispos, bispas, apóstolos e apóstolas sãotrambiqueiros. Nunca se barateou tanto a mensagem do evangelho, nunca se vulgarizou tanto a mensagem da cruz do Calvário, nunca as coisas estiveram tão vergonhosas. Avivamento? Onde? O que vemos, isto sim, é um reavivamento do paganismo, do espiritualismo, do misticismo, da fé metafísica. Mas não um avivamento da Igreja de Cristo. Ainda não.

16). Quem está fora do pentecostalismo percebe que eles dão uma ênfase no Espírito Santo em detrimento de Jesus Cristo. Mas o que ocorre é pior que isso. Nem mesmo o Espírito Santo recebe qualquer honra ali. Quando eles enfatizam o Espírito Santo é só por causa do Seu poder. Tudo o que querem é o poder do Espírito para fazerem maravilhas. Então, de fato, nem mesmo é a Pessoa do Espírito que enfatizam, mas o poder dele. E não querem o poder do Espírito para serem bons esposos, bons pais, bons cidadãos, bons políticos, bons ministros de Cristo, mas querem ser poderosos para serem adorados como pequenos deuses. É só por isso que falam muito no Espírito Santo.

17). Li sobre os antídotos que vocês sugeriram para resguardar as igrejas sadias do veneno do pentecostalismo. Achei-os bons, mas temos que ser absolutamente radicais. Não podemos ceder nem um milímetro. Se abrirmos um milímetro o mal entra e aí não há limites. Vejo que muitos crentes históricos pensam que a coisa não é tão grave. Digo que é muito pior do que se pode imaginar. Por isso precisamos nos humilhar debaixo das mãos de Deus e lhe pedir misericórdia.
 
Nelson Nincao - Igreja Reformada de Londrina
http://naziasenotorres.blogspot.com/2011/10/uma-avaliacao-incisiva-e-contundente-do.html

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Entrevista sobre missões


Qual sua teologia sobre missões?

A pergunta requer um tratado como resposta. Minha Teologia de Missão é focada no Deus da missão, o Deus que comissiona. Em outras palavras, a missão não é nossa é de Deus. Ele é o idealizador e executor da missão. Como na criação, somos Seus parceiros, Seus administradores, na linguagem bíblica, mordomos dos interesses e recursos de Deus. Por isso não podemos limitar a missão à simples definição proselitista "levar alguém a Jesus". Isso é parte da missão mas não encerra a missão. Missão no contexto bíblico é algo bem maior. É o fazer discípulos de Cristo que por sua vez também farão outros discípulos. Implica em expandir o Reino de Deus para todas as esferas da vida visando o resgate de toda a natureza caída, que geme aguardando com expectativa o dia da redenção, conforme nos ensina o apóstolo Paulo (Rm. 8:22-23).

Como você descreve a relação entre:
a)     Missão e o choque Cultural - O choque cultural é resultado da nossa condição caída. A queda nos trouxe limitatções em todas áreas da vida. Assim, perdemos também a capacidade de nos comunicar de maneira plena. Ficamos todos condicionados pelos códigos e valores culturais que nos diferenciam como povos e sociedades. A comunicação intercultural ou transcultural, portanto, se torna prejudicada e, conseqüentemente, nossa habilidade de vivenciar o Reino entre outros povos. Logo, o choque cultural é uma realidade que necessita ser enfrentada, se queremos de fato ser cooperadores de Deus no Seu plano redentivo. 
b)     Missão e Finanças - Nossa compreensão é de que tudo pertence a Deus. Assim como os dons, os bens que recebemos dEle não são nossos. São Seus, e os recebemos para administrar em prol do Seu Reino. Somos apenas mordomos. Logo, nossas finanças devem estar à disposição da proclamação do Seu Reino. Devo dizer que finanças é apenas um componente do qual Deus se serve para a execução da Sua missão.
c)     Missão e Parcerias - Lausanne III Cape Town 2010 pontuou de forma precisa a necessidade da igreja (corpo de Cristo) dar as mãos para que o Reino continue avançando. Para mim, parceria não deve ser vista como mera estratégia na missão, mas como forma pragmática da manifestação de unidade pela qual Jesus orou em João 17. Ela é vital "para que o mundo creia". Missão sem parceria é mero proselitismo sectarista.
d)     Missão e Ação Social - O papel da igreja continua sendo o de testemunhar para o mundo acerca do reino de amor, que resgata o perdido, ensina e corrige o errante, ampara e levanta o caído, alenta o abatido, liberta o preso, cura o ferido... para que seja na terra assim como é no céu. A missão não é ação social, mas não é possível haver missão de Deus no meio dos homens sem que essas facetas da vida sejam tocadas como manifestação do Reino de Cristo presente aqui e agora. A mera ação social o estado ou ONGs podem fazer, mas são incapazes de causar a transformação que somente o Espírito de Deus pode causar. E a Igreja é o agente de Deus nessa ação.
e)     Missão e Igreja Africana - Refiro-me novamente ao Lausanne III Cape Town 2010 que enfatizou o crescimento da igreja africana e sua importância na missiologia contemporânea. Irmãos africanos estão testemunhado do amor de Deus em diversas partes do mundo. Ainda que a maioria não o faça como missionários convencionalmente enviados por uma igreja, são comissionados por Deus a representarem Seu Reino em países onde o testemunho do evangelho outrora floresceu e hoje estagnou ou desapareceu. Muitos deles, chamados migrantes econômicos, por onde andam levam a mensagem da fé até mesmo em países árabes. É importante notar que vivemos uma nova perspectiva missiológica bem colocada Luiz Longuini Neto em seu lovro "O Novo Rosto da Missão", Ed. Ultimato. Ele observa que já não existem mais países enviadores e países recebedores. Todos enviam e todos recebem. Tem sido isso uma estratégia da igreja? Creio que não. Mas é estratégia de Deus Ele está movendo as peças no quebra-cabeça da história dos povos porque é soberano na missão. Se no passado Ele se serviu de uma igreja social e politicamente influente e economicamente rica e poderosa, na presente geração soberanamente decidiu usar sua igreja dos países "sub desenvolvidos" e de países "em desenvolvimento" para testemunhar do Seu reino. Afinal, não escolheu Ele também o fraco e o que nada é para envergonhar o forte...? (I Cor. 1:27).
f)      Missão e Treinamento - Esse tema é de vital importância. Pois conquanto Deus, em Sua soberania, usa o fraco e o que nada é para confundir os fortes, também conclama que utilizemos tudo a nosso dispor para melhor desempenho do testemunho. O "fazer a obra do Senhor relaxadamente" implica em não fazer boa mordomia dos recursos por Ele disponibilizados. Treinamento é chave nesse processo. Muitos erros podem ser evitados com o simples fato de não nos submetermos a um treinamento adequado. Este princípio não se aplica apenas ao treinamento bíblico, aplica-se também, ao treinamento eficaz em qualquer outra área vocacional. Vocação não se limita ao chamado para a pregação da Palavra, mas também ao chamado para a medicina, para a docência, para a administração, para as artes, etc. Na vida do crentes essas vocações ou esses "chamados" são tão santos quanto à vocação ao ministério da Palavra. "Não existe capacidade, indústria ou aptidão que não se deva reconhecer como proveniente de Deus" (João Calvino, Comentário a Mt. 25:15).
g)     Missão e batalha Espiritual - O reino tem um inimigo e precisamos estar cientes dessa realidade todos os dias. Com isso quero dizer que a luta espiritual é uma constante. No ambito da missão é ainda mais intensa. Não há como negar sua infiltração no ato da semeadora. Não há como semear o trigo sem que o joio apareça no meio. Por esta razão, a vigilância em oração deve ser igualmente constante a fim de que não sejamos enganados pelo inimigo do Reino de Deus e seus valores. Esse é seu papel do inimigo de nossas almas - enganar. Portanto, ignorar sua realidade é o mesmo que “baixar a guarda” numa luta de boxe.
h)     Missão e o Movimento Pentecostal e Carismático - Como pensadores de linha reformada, estamos certos da saúde de nossa orientação teológica. No entanto, precisamos ter cuidado para não cairmos no pecado da soberba ou senso de superioridade. Cabe somente a Deus separar o joio do trigo. Não podemos esquecer que Deus, em Sua soberania, usa a quem quer. Isto não quer dizer, porém, que o fato de estar sendo usado/a autentica ministério de quem quer que seja. E nesse sentido, embora não os referendamos por causa de sua teologia equivocada, temos que admitir que movimentos carismáticos ou chamados pentecostais têm sido usados pelo Senhor para manifestar o Seu reino na terra. Uma coisa é ser usado por Deus (Deus usa até pedras), outra coisa é ser aprovado por Deus.
i)        Missão e a Globalização – Vivemos num mundo globalizado, Deus é globalizado. Deus não é limita por nada. Desde o início o propósito salvífico de Deus é O MUNDO TODO. IAWEH não é um Deus local, nacional, etc. É Deus de todos os povos e seu reino é para todas as etnias, todas as línguas, todos os povos. Creio que é o suficiente para ilustrar a natureza global da missão de Deus.

Qual sua estratégia em Missões?
Minha estratégia é: "fazer-me de tudo para com todos com o fim de alcançar alguns", sem jamais me envergonhar do evangelho, tendo em vista que "é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê". 

Qual a sua visão sobre Missionários de curto termo e fazedores de tenda?
Quanto à "missão de curto termo" entendo ser uma estratégia cada vez mais importante num mundo onde tudo é muito rápido. Ela é importante a fim de maximizar a proclamação. Em relação ao "fazedor de tendas" sua longa história de eficácia, encabeçada pelo apóstolo Paulo, nos diz tudo. Nos dias de hoje, num mundo dirigido pelo mercado, tal estratégia vem se tornando ainda mais importante e até mesmo necessária para a eficaz manifestação do Reino em certos contextos. Profissionais dos mais diversos ramos da atividade humana são bem-vindos. Hoje há uma procura cada vez maior por empresários, gente do mundo dos negócios, que possam contibuir com a geração de emprogo e o desenvolvimento humana. É a hora e a vez de empresários cristãos comprometidos com a missão proclamadora dedicarem sua vida e habilidades para manifestar o Reino de Deus por meio de sua vida e ações, em contextos onde um "missionário de carreira" não pode entrar.


Que o Senhor lhe aqueça o coração e lhe aumente a visão!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O Novo Ateu

sábado, 18 de junho de 2011

Hoje, o ateu não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina. O novo ateísmo não precisa negar a fé; apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador"
Sabemos que existem vários tipos de ateus. Existem aqueles que não crêem em Deus por não encontrarem respostas para os grandes dilemas da humanidade como violência, miséria e sofrimento. Não conseguem relacionar um Deus de amor com o sofrimento humano. Outros não crêem porque não encontram uma razão lógica e racional que explique os mistérios da fé, como a criação do mundo, o dilúvio, o nascimento virginal, a ressurreição, céu, inferno, etc. Diante de temas tão complexos que requerem fé num Deus pessoal, Criador e Redentor, muitos não conseguem crer naquilo que lhes parece racionalmente absurdo.


Os dois tipos de ateus já mencionados são inofensivos. Na verdade, são pessoas que buscam respostas, são honestos e não aceitam qualquer argumento barato como justificativa para suas grandes dúvidas. São sinceros e lutam contra uma incredulidade que os consome, uma falta de fé que nunca encontra resposta para os grandes mistérios da vida e de Deus.


No entanto, há um outro tipo de ateu, mais dissimulado, que cresce entre nós, que crê em Deus e não apresenta nenhuma dúvida quanto aos mistérios da fé, nem em relação aos grandes temas existenciais. Ele vai à igreja, canta, ora e chega até a contribuir. É religioso e gosta de conversar sobre os temas da religião. Contudo, a relevância de Cristo, sua morte e ressurreição para a vida e a devoção pessoal é praticamente nula. São ateus crédulos. O ateu moderno não é mais somente aquele que não crê, mas aquele para quem Deus não é relevante.


Este é um novo quadro que começa a ser pintado nas igrejas cristãs. Saem de cena os grandes heróis e mártires da fé do passado e entram os apáticos e acomodados cristãos modernos. Aqueles cristãos que entregaram suas vidas à causa do Evangelho, que deixaram-se consumir de paixão e zelo pela Igreja de Cristo, que viveram com integridade e honraram o chamado e a vocação que receberam do Senhor, que sofreram e morreram por causa de sua fé, convicções e amor a Cristo, fazem parte de uma lembrança remota que às vezes chega a nos inspirar.


Os cristãos modernos crêem como os outros creram, mas não se entregam como se entregaram. Partilham das mesmas convicções, recitam o mesmo credo, freqüentam as mesmas igrejas, cantam os mesmos hinos e lêem a mesma Bíblia, mas o efeito é tragicamente diferente. É raro hoje encontrar alguém em cujo coração arde o desejo de ver um amigo, parente, colega de trabalho ou escola convertendo-se a Cristo e sendo salvo da condenação eterna. Os desejos, quando muito, se limitam a visitar uma igreja, buscar uma "bênção", receber uma oração; mas a conversão a Cristo, o discipulado com todas as suas implicações, são coisa que não nos atraem mais.


Os anseios pela volta de Cristo, o desejo de nos encontrarmos com Ele e ver restaurada a justiça e a ordem da criação ficaram para trás. Somente alguns saudosos dos velhos tempos lembram-se ainda dos hinos que enchiam de esperança o coração dos que aguardavam a manifestação do Reino. A preocupação com a moral e a ética, com o bom testemunho, com a vida santa e reta não nos perturba mais - somos modernos, aprendemos a respeitar o espaço dos outros. O cuidado com os irmãos, o zelo para que andem nos caminhos do Senhor, as exortações, repreensões e correções não fazem parte do elenco de nossas preocupações. Afinal, cada um é grande e sabe o que faz.


Enfim, somos ateus modernos, o pior tipo de ateu que já apareceu. Citamos com convicção o Credo Apostólico, mas o que cremos não tem nenhuma relevância com a forma como vivemos. A pessoa de Cristo para muitos é apenas mais uma grife religiosa, não uma pessoa que nos chama para segui-lo. O ateísmo moderno se caracteriza pela irrelevância da fé, das convicções, do significado da igreja e da comunhão dos santos.


A irrelevância de Deus para a vida moderna é intensificada pela cultura tecnocrática. Temos técnicas para tudo: para ter um matrimônio perfeito, criar filhos felizes e obedientes, obter plena satisfação sexual no casamento, passos para uma oração eficaz, como conseguir a plenitude do Espírito Santo e muitos outros "como fazer" que entopem as prateleiras das livrarias e o cardápio dos congressos. A sociedade moderna vem criando os métodos e as técnicas que reduzem nossa necessidade de Deus, a dependência dEle e a relevância da comunhão com Ele. Chamamos uma boa música de adoração, um convívio agradável de comunhão, uma moral sadia de santificação, assiduidade nos programas da igreja de compromisso com o Reino de Deus.


As técnicas não apenas criam atalhos para os caminhos complexos da vida, como procuram inverter os pólos de atenção e dependência. Tornamo-nos mais dependentes de nós do que de Deus, acreditamos mais na eficiência do que na graça, buscamos mais a competência do que a unção, cremos mais na propaganda do que no poder do Evangelho. Tenho ouvido falar de igrejas que são orientadas por profissionais de planejamento estratégico. Estudam o perfil da comunidade, planejam seu desenvolvimento, arquitetam seu crescimento e, de repente, descobrem que funcionam, crescem, são eficientes, e não dependem de Deus para nada do que foi planejado. Com ou sem oração a igreja vai crescer, vai funcionar. Deus tornou-se irrelevante. Tornamo-nos ateus crentes.


A minha preocupação não é simplesmente criticar o mundo religioso abstrato, superficial e impessoal que criamos ou criticar a tecnologia moderna que, sem dúvida, pode e tem nos ajudado. Minha preocupação é com o coração cada vez mais distante, mais abstrato, mais centralizado naquilo que não é Deus, mais dependente das propagandas e estímulos religiosos, mais interessado no consumo espiritual do que numa relação pessoal com Deus.


Como disse, o ateu hoje não é mais aquele que não crê, mas aquele que não encontra relevância para Deus na sua rotina, não precisa da comunhão dEle para a vida. A sutileza do novo ateísmo é que ele não precisa negar a fé, apenas cria substitutos para ela. Mantém o crente na igreja, mas longe do seu Salvador. Este ateu está muito mais presente entre nós do que imaginamos.


Fonte: Monergismo.com

Por Ricardo Barbosa de Souza