segunda-feira, 26 de maio de 2008

Onde foi parar a "Rainbow Nation"?

África do Sul é conhecida como a Rainbow Nation em virtude de sua diversidade lingüística e cultural. Única nação com 11 línguas oficiais.

O Dia da Africa lembrado no dia 25 de maio é, via de regra, dia de comemoração dessa diversidade de povos e culturas.

No lugar dos discursos inflamados exaltando o desempenho econômico do país e suas relações amistosas com outros povos africanos, o Africa Day deste ano foi marcado por acontecimentos nada agradáveis.

Houve discurso sim, mas recheado de lamento e dor pelas 52 pessoas mortas nos ataques anti-estrangeiros que deixou aproximadamente 30 mil desabrigados e milhares em fuga para outros paises.
Tristeza de quem perdeu tudo
e não sabe para onde ir
Há um sentimento misto entre seus habitantes nesse momento. Por um lado percebemos certo sentimento de vergonha da parte das autoridades e pessoas de bem em geral e, por outro lado, vemos milheres de pessoas dominadas pelo medo e terror.

Parece não haver controle da parte das autoridades quanto ao número de estrangeiros vivendo no país. Há um número considerável de estrangeiros ilegais vivendo no país. A situação parece sem controle. Ninguém sabe exatamente quantos refugiados existem hoje na África do Sul. Porém, de acordo com o Instituto de Relações entre Raças, há entre 3 e 5 milhões de estrageiros refugiados no país.
Famílias abrigadas em igrejas
Desde que os recentes ataques iniciaram a 15 dias o governo ainda não tem planos concretos sobre o que fazer com o milhares de estrangeiros aglomerados buscando abrigo em igrejas, centros comunitários e delegacias de polícia.

Nossa igreja decidiu oferecer todas as suas dependências, que são limitadas em tamanho e quantidade, para abrigar e cuidar de pessoas em situação de risco, vitimas desse conflito. No momento estamos abrigando 46 pessoas, a maioria mulheres e crianças.

Tem sido difícil administrar o caos criado, porém, com o apoio da comunidade do Kenilworth que tem trazido cobertores, comida, remédios, roupas, etc., estamos conseguindo levar adiante.

Aliás, devo destacar aqui o contraste existente em toda essa situação. Se por um lado vemos nacionais se revoltando contra estrangeiros africanos por outro lado, estamos testemunhando a solidariedade da maioria do povo sulafricano para com as pessoas afetadas pela violência.

Tem sido doloroso ouvir suas histórias de como sobreviveram aos ataques. Muitas crianças continuam sem poder ir as escolas porque ainda há riscos de novos ataques.

A questão agora é: para onde ir? Muitos não podem voltar aos seus países de origem por questão de segurança. Mas, também, não podem voltar para as áreas onde estavam antes.

Mãe fugindo dos conflitos
com criança no colo

Resta-nos orar para que, de alguma maneira, a vida volte a normalidade.
Deus tenha misericórdia desta terra.

2 comentários:

Servindo ao Senhor na Tanzânia disse...

Já ouvi pessoas dizerem que Africa do Sul nem é Africa e é o céu, é esse o céu? Com isso pessoas têm sido negligentes e não querem atender tbm a esse povo,espero que com isso haja um despertamento das igrejas locais e das igrejas ao redor do mundo pra que missionários se levantem pra trabalharem com esse povo e só não estou lá porque não é da vontade de Deus,porque se Deus me mandasse voltar pra lá hj,já estaria com minhas malas prontas. Deus abencoe esse povo e os missionários e cristãos que ali estão e vidas sejam alcancadas. Deus continue abencoando vcs Gessé e familia que amo muito.

Rev. Gessé Almeida Rios disse...

Seja bem-vindo(a) ao nosso blog. Esqueceu de se identificar.
Obrigado pelo comentário e fique à vontade em outras ocasiões sempre que quiser comentar.
Sua observação sobre o dizer de pessoas acerca África do Sul foi muito feliz. Tbm já ouvi pessoas dizerem o mesmo também. Morando aqui a quase sete anos, cada vez me convenso de que aqui é algum lugar entre o céu e o inferno.
Gde abs,
Rev. Gessé