domingo, 23 de novembro de 2008

Notícias para informar e orar


Rev. Gessé e Iolanda Rios
Rua Dorival de Carvalho, 3134
Vila Paraíso II – CEP 75.800-000
Jataí - Goiás


Cidade do Cabo, novembro/dezembro 2008


“...a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado. I Pe. 1:7


O fim do ano está às portas. É hora de correr com relatórios, avaliar o que se fez ou que se deixou de fazer e planejar para o futuro. Estamos contentes com os resultados do nosso trabalho, embora entendamos que sempre há espaço para melhorar. Na oficina de costura não houve muita procura como no ano passado, mas funcionou durante todo o ano e sempre com alguém interessada em aprender. Nossas irmãs Hettie Glass, Linda Engle e Rina Daves, da Igreja Presbiteriana do Kenilworth estiveram sempre à frente. A oficina de música funcionou bem, mas sofreu bastante no segundo semestre com a ausência do professor, Pr. Marcos Rodrigues, que esteve no Brasil por três meses. Já na oficina de computação, que funcionou de Quarta a Sábado, houve bom desempenho. Tivemos oportunidade de treinar diversas pessoas em áreas práticas da vida terrena assim como compartilhar-lhes do amor salvífico de Deus revelado no sacrifício de Cristo Jesus, nosso Senhor. AGRADEÇA CONOSCO O PRIVILÉGIO DE SERMOS INSTRUMENTOS NAS MÃOS DE DEUS PARA TRANSFORMAÇÃO DE VIDAS.


Estamos empolgados com as possibilidades para o próximo ano. Além dos projetos existentes, estamos ajudando a APMT na elaboração do projeto da escola de inglês em Cape Town. Trata-se de parceria entre a Igreja Presbiteriana do Kenilworth, APMT e uma escola de língua inglesa da cidade, cujo principal objetivo é reduzir custos para os nossos missionários estudarem o inglês (requerimento necessário no trabalho transcultural). ORE POR ESTE PROJETO.


Considerando nossa saída para o Brasil no dia 09/12 estaremos encerrando os trabalhos anuais do C-Step, assim como o culto em língua portuguesa, no dia 22 de novembro para nos dedicarmos à arrumação para a viagem. PRECISAMOS DE SUAS ORAÇÕES.


No último Domingo de novembro Philipe e Leonardo estarão fazendo sua Pública Profissão de Fé na Igreja Presbiteriana do Kenilworth. Será uma ocasião especial para todos nós. LOUVE A DEUS CONOSCO PELA MATURIDADE, CONVICÇÃO E FIRMEZA DOS NOSSOS FILHOS. Philipe passou na prova escrita para a licença de condução e agora está se preparando para tirar a Habilitação. Guilherme fará seu exame para a Habilitação no final de fevereiro.


Nossa chegada a São Paulo está prevista para 9/12. No dia seguinte nos reuniremos com irmãos da APMT. A partir do dia 11 nos submetemos a consultas médicas e exames. Recentemente fui diagnosticado com forte anemia muito forte e estou sendo encaminhado a um especialista em São Paulo para identificar as causas. Venho sendo medicado há mais de um mês e já me sinto melhor, tenho menos fadiga e as dores de cabeça também diminuíram. De São Paulo seguiremos para Goiás para passarmos Natal e Ano Novo com familiares. Em janeiro seguiremos para a Bahia a fim de rever os demais familiares, de onde retornaremos a Goiás no final do mês para dar início à agenda de visitas a igrejas parceiras em nosso ministério. No momento estamos fechando a agenda para esses encontros. SUAS ORAÇÕES PELA NOSSA SAÚDE E RECURSOS PARA AS VIAGENS SÃO INDISPENSÁVEIS.

Ainda em fevereiro iremos a São Paulo para embarcar o Guilherme de volta para Cape Town. Terá que retornar no dia 15 em função das aulas na faculdade. Será a primeira vez que viajará só e ficará morando sozinho por cinco meses. Não será nada fácil para todos nós. AGRADECEMOS SUAS ORAÇÕES PELA NOSSA FAMÍLIA.

Palavras são sempre insuficientes para agradecermos àqueles que têm se colocado ao nosso lado ao longo desses quase 14 anos de trabalho missionário, especialmente aqueles que se preocupam e se esforçam para que cada mês tenhamos nossas necessidades supridas. Agradecemos a Deus cada pessoa que Ele tem usado para tornar isso possível. Agradecemos o dedicado trabalho de apoio que recebemos da APMT (assembléia, executivo e pessoal de escritório). Agradecemos especialmente a Silvia pela nova dinâmica que deu ao trabalho aqui, ajudando-nos a semear as Boas Novas de Cristo Jesus. Obrigado também a Laura por entender o chamado de Deus para sua mãe.


Finalmente, agradecemos a Deus pelos irmãos em Cape Town que têm se voluntariado no auxílio ao nosso trabalho, principalmente Igreja Presbiteriana do Kenilworth (KCPC), na pessoa do Revd. Mike Muller, e os colegas Marcos e Cleber.


No precioso amor que nos une.


Rev. Gessé, Iolanda,
Guilherme, Philipe e Leonardo.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

CARTA DE ORAÇÃO

Cidade do Cabo, setembro/outubro 2008


Quanto mais nos exercitamos em passar tempo com Deus e com ele somente, mais descobrimos que Deus está conosco, em todos os momentos e em todos os lugares - Henri Nouwen


A situação no país com relação aos ataques a estrangeiros, sobretudo a refugiados, está mais calma. No entanto as atitudes hostis continuam por toda parte. No momento vive-se uma onda de deportação. Raramente um refugiado consegue extensão de prazo em seus papéis. O Departamento de Imigração parece estar sendo instruído a agir assim. Há claramente um procedimento padrão visando “enxugar” a população do país. Uma espécie de “preparação” para a Copa do Mundo de Futebol de 2010. Com isso, alguns dos refugiados com os quais trabalhamos estão sendo negados documentos de permanência na África do Sul.

Fui procurado por um deles pedindo orações. Disse não saber o que fazer, pois retornar à sua terra nesse momento é algo totalmente fora de cogitação. Deixou para traz esposa e filhos em busca de trabalho a fim sustentá-los e não os ver continuar passando necessidades. Ao menos aqui consegue alguns “bicos”, juntar um dinheirinho e mandar para a família de vez em quando. Procuramos encorajá-lo a permanecer firme buscando na fonte que é Jesus, sabendo que se as portas se fecharem para ele aqui ainda há um Deus soberano cuidando de tudo e atento às suas necessidades. ORE PELAS CENTENAS DE MILHARES DE REFUGIADOS QUE CONTINUAM SOFRENDO TRATAMENTO XENÓFOBO NA ÁFRICA DO SUL.

O país está vivendo grande turbulência política neste momento. Seu Presidente há mais de sete anos no poder, Tabo Mbeki, foi deposto pelo seu partido o ANC. Vinha sendo firme contra a corrupção que envolve membros do partido, inclusive seu presidente. Cremos que isto tenha motivado tal decisão do partido. Há muita inquietação na população, especialmente entre as camadas mais sofridas. SUAS ORAÇÕES POR ESSE MOMENTO DELICADO POR QUE PASSA A ÁFRICA DO SUL SÃO FUNDAMENTAIS.

Finalmente nasceu o filhinho da Alivere e Jean Paul. Um menino, Joshua, saudável e com quase quatro quilos. Jean Paul continua num emprego que um irmão em nossa igreja conseguiu. O Baya, um senhor do Congo com a esposa e cinco filhos pequenos, depois de muito sofrimento com os ataques xenófobos, continua sem achar trabalho fixo. A igreja o tem ajudado com uma pequena cesta básica cada semana. Christopher Mukiza não tem andado bem de saúde. O temos acompanhado a médico que ainda não pode dar um diagnóstico mais preciso. Estamos aguardando resultados de alguns exames. Pedro Vicente continua sendo um grande exemplo de transformação e dependência de Deus. Sua entrevista num dos canais de TV de maior audiência no país continua gerando impacto em muitas pessoas. Igrejas e até mesmo escolas o têm convidado para falar. Uma coisa que admiramos muito nele é seu ardor evangelístico. Seu espírito empreendedor o tem levado a muitas atividades. Pratica equitação e atletismo com muito entusiasmo. No momento está trabalhando muito com massagem terapia. A partir de meados de outubro terá sua própria sala para atender clientes. AGRADECEMOS SUAS ORAÇÕES POR ESTES IRMÃOS.

Bastini e Jonathan vêm mostrando um bom crescimento espiritual. Bastini agora está trabalhando e se preparando para estudar no próximo ano. Mercy, uma mãe solteira camaronesa, tem superado muitos obstáculos, mas perseverando na idéia do seu pequeno negócio. Através do projeto estamos lhe dando apoio e parece que as coisas estão indo bem. Grenvill, um rastafári que estávamos evangelizando faz algum tempo, entregou sua vida a Cristo há um mês. Depois de um culto pediu que orasse por ele, pois sabia que tinha que recomeçar a vida e estava pronto para fazê-lo naquele momento. Em meio às lágrimas entregou sua vida ao Senhor confessando seus pecados recebendo-o em arrependimento. Na semana seguinte apareceu com o cabelo cortado... Quem conhece os rastafáris sabe bem o que isso representa. Os queridos irmãos citados neste parágrafo estão solicitando serem recebidos como membros da igreja. Nas próximas semanas estarão fazendo classe de discipulado. AGRADEÇA A DEUS PELA FORMA COMO TEM OPERANDO NA VIDA DESSAS PESSOAS E ORE PARA QUE TENHA A CONSCIÊNCIA DE QUE EM CRISTO JÁ FORAM LIBERTOS, E PARA QUE DESFRUTEM DA PROTEÇÃO E LIVRAMENTO DO SENHOR A CADA DIA.

No momento estamos empenhados no projeto da criação da Escola de Inglês para atender nossos missionários a um custo mais barato. Trata-se de uma parceria a ser estabelecida entre a Igreja Presbiteriana do Kenilworth e APMT. Nos próximos dias Noêmia (missionária da APMT) estará se somando à equipe e se responsabilizará mais diretamente pela seqüência do projeto. Silvia tem sido uma grande bênção para o trabalho e para nossa família. Depois de anos trabalhando “sozinhos”, Iolanda e eu nos alegramos com outras pessoas chegando para fazer parte do time. ORE PELA CHEGADA E ADAPTAÇAO DA NOÊMIA ASSIM COMO PELO DESAFIANTE TRABALHO QUE TERÁ PELA FRENTE. ORE TAMBÉM PELA SILVIA QUE ESTARÁ NA COORDENAÇÃO DAS ATIVIDADES DO C-STEP ENQUANTO ESTIVERMOS AUSENTES.

Estamos com seis anos e meio aqui em Cape Town, sendo quatro sem retornar ao Brasil. Confesso que estamos nos sentindo muito cansados. Creio que o desgaste de lidar com a miséria alheia numa cultura distante da nossa, tendo que se expressar o tempo numa língua que não é nossa língua mãe e nos comunicando com pessoas que também a falam como segunda língua, tem contribuído muito para nosso cansaço. Mas graças a Deus o tempo de retorno está mais perto. Estamos em contagem regressiva, tal é a expectativa para rever irmãos familiares e amigos. Nossa saída está marcada para dia 09/12. Ficaremos uns dois dias em SP para descansar e depois seguiremos para Jataí - GO. Louvamos a Deus pelo apoio da APMT também nisso. Ajudou-nos na aquisição das passagens, sendo que tomamos um empréstimo para pagar o restante. AGRADEÇA A DEUS A PROVISÃO DESSE TEMPO DE DESCANSO PARA NÓS, O APOIO QUE RECEBEMOS DA APMT E ORE PARA QUE TENHAMOS OS RECURSOS PARA QUITAR NOSSA DÍVIDA O QUANTO ANTES. AGRADEÇA TAMBÉM POR TRÊS IGREJAS QUE JÁ SE MANIFESTARAM CONTRIBUINDO PARA O PAGAMENTO DA DÍVIDA DAS PASSAGENS.

Despedimo-nos na Alegria do Senhor, a nossa força.

Rev. Gessé, Iolanda,Guilherme, Philipe e Leonardo.

domingo, 14 de setembro de 2008

Motivo para oração

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2008/09/13/radicais_islamicos_defendem_explosao_demografica_para_tomar_reino_unido-548215522.asp

Um detalhe, essa estratégia não é apenas a estratégia que estão adotando para controlar o Reino Unido, mas mundo. Em todos os países onde chegam, fomentam sua expansão político-religiosa via procriação.

No Brasil a 50 anos tal seguimento religioso não passava de uma pequena minoria oraticamente desconhecida... Hoje já não pode dizer o mesmo e a estratégia não é diferente. Aoções e múltiplos casamentos para gerar o maior número possível de filhos, fazem parte dessa estratégia.

Que isso nos encorage a orar ainda mais pela conversão de pessoas influentes entre seus seguidores.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

149 ANOS DE UMA HISTÓRIA BEM CONTADA


Isso Mesmo!
Nossa amada Igreja Presbiteriana do Brasil está de parabéns. No último dia 12 de agosto completou mais um ano de existência, semeando a boa semente e sendo sal da terra e luz do mundo em solo brasileiro.

Vale lebrar que tudo começou com o ardor do jovem missionário, Rev. Ashbel Green Simoton. Chegou ao Brasil no dia 12 de agosto de 1859. Em menos de 3 anos já havia plantado de maneira solida e definitiva a obra presbiteriana em solo brasileiro.

Além da Igreja Presbiteriana, em 1864 já havia criado também o primeiro jornal, "Imprensa Evangélica". No ano seguinte organizou Presbitério e em 1867 o primeiro Seminário.

Sua ênfase na educação e na formação acadêmica dos obreiros cristãos tem sido uma herança seguida de perto pelo Igreja Presbiteriana do Brasil até os dias de hoje.

Não são poucas as escolas presbiterianas espalhadas pelo Brasil. A formação acadêmica dos seus obreiros continua sendo prioridade. Não podemos esquecer que seu exemplo de ardor missionário continua repercutindo na vida e prática missionário da nossa igreja em várias partes do mundo.

Parabéns Igreja Pesbiteriana do Brasil.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Carta de Oração

Cidade do Cabo, julho/agosto de 2008


Coragem não é a ausência de medo, mas a capacidade de inspirar outros a superá-lo – Nelson Mandela


A afirmação acima é do herói sul-africano na luta contra o Apartheid, Dr. Nelson Rolihlahla Mandela ou simplesmente Madiba que no dia 18 de julho completou 90 anos de idade. No início do mês a Revista Time homenageou esse grande estadista ao postar um excelente artigo de Richard Stengel com o título Mandela: Suas 8 lições de Liderança, sendo esta uma de suas lições. Foi exatamente isso que fomos chamados a fazer recentemente aqui na Cidade do Cabo, em meio ao medo ajudar outros a superá-lo.

Nos últimos meses o país viveu uma onda de violência contra estrangeiros, sobretudo contra refugiados, que culminou na morte de quase setenta pessoas. A maneira cruel como foram mortos, alguns a pauladas outros incendiados vivos, chamou a atenção do mundo. O que ficou conhecido como “ataques xenófobos” foi, também, um convite para nos envolvermos mais de perto e exercer o amor cristão no amparo e encorajamento de dezenas de pessoas que buscaram abrigo em nosso meio. Exigiu muito trabalho logístico da nossa parte, mas pudemos contar com enorme apoio de vizinhos e amigos que nos ajudaram a escondê-los e a providenciar alimentos, roupas, agasalhos e medicamentos necessários.

Numa situação, manifestantes até quiseram empurrar Alivere para fora do trem em movimento. Não o fizerem por estar nas últimas semanas de gestação. Refugiados tiveram que fugir de suas casas às pressas buscando abrigo em postos de polícia e igrejas. A maioria teve seus barracos saqueados e destruídos. Levaram tudo que achavam e alguns foram destruídos. O sentimento de medo estampado nos rostos dessas pessoas era mais que evidente. Louvamos a Deus porque, como Presbiteriana do Brasil, através da APMT, pudemos ser parte da resposta para o problema neste momento de dor.

Muitos ainda continuam em acampamentos improvisados montados pelo governo, monitorados pela ONU e protegidos pela polícia. Parte do grupo que ficou amparado em nossa igreja está num acampamento com mais de mil pessoas e continua recebendo algum apoio nosso. Uma vez por semana levamos alimentos e roupas que angariamos. Na semana passada quase fui agredido por refugiados revoltados com o descaso das autoridades. Tentam se valer de qualquer um para chamar a atenção do governo.

Mas nem tudo é dor. Desde nossa última carta tivemos momentos de grande alegria no trabalho. Um deles foi quando recebemos a visita de um grupo de crianças com o qual trabalhamos nos nossos primeiros anos aqui. Foram retirados por uma organização católica do abrigo onde viviam e assim ficamos impossibilitados de continuar trabalhando com eles, mas recentemente receberam autorização para nos visitar. Foi muito bom revê-los crescidos!

Estamos começando mais um semestre com novas pessoas interessadas nos programos do C-STEP (música, computação e costura). Agora estamos com onze pequenas classes de computação e digitação. Pessoas estranhas se tornam mais abertas e receptivas ao evangelho na medida em que desenvolvemos relacionamento de amizade nessa relação instrução/aprendizado. Ao passo em que servimos, encontramos meios de compartilhar a fé em Cristo e o amor de Deus capaz de salvar o perdido. Lamentavelmente estamos perdendo a ajuda do Pr. Cleber Balaniúc que estará se dedicando mais a outro projeto um pouco distante de onde estamos. Somos imensamente gratos pelo apoio que nos deu.

Prevendo a ajuda da Silvia por pelo menos mais um ano e meio (esperamos seja bem mais que isso) decidimos investir no projeto ajudando-a a se preparar melhor na área do trabalho evangelístico no contexto do desenvolvimento social. Ela estará fazendo um curso de desenvolvimento comunitário no Cornestone Christian College em Cape Town. Tal iniciativa tem contado com o apoio da Igreja Presbiteriana do Kenilworth e sua liderança.

No momento estamos celebrando a alegria do Daniel Neves por obter notícias dos seus familiares em Angola. Desde que deixou seu país no final da década passada havia perdido contato com os pais e irmãos. Pensava que haviam morrido na guerra. Graças a Deus todos estão vivos, apesar dos pais terem se separado. Ele continua empregado e agora conseguiu alugar um quarto muito bom com uma família cristã.

Apesar do cansaço, estamos todos bem. Um período de descanso um pouco mais prolongado se faz cada vez mais necessário. São mais de três anos que não tiramos férias de verdade. Estamos sonhando com a possibilidade de retornar ao Brasil para um período de seis meses, sendo dois para descansar e visitar familiares na Bahia e Goiás, e quatro meses para visitar igrejas envolvidas no projeto. Divulgamos um pequeno projeto para aquisição dos recursos necessários para as passagens e estamos aguardando retornos.

Algo que nos alegra muito é o fato de saber que D. Elvira (mãe da Iolanda) está bem. As radioterapias deixaram-na um pouco debilitada, mas seu sistema imunológico está mais resistente. Ela passou a consumir uma combinação de suplementos à base da aloé vera e sua qualidade de vida agora é outra. Estamos surpresos. Claro, não temos dúvidas que tudo isso é resposta de orações.

Nossos rapazes continuam muito bem nos estudos. Philipe na 10ª classe já preocupado com o próximo ano quando terá que definir muita coisa para sua futura carreira. Sabe como é, tempo de escolhas. O Léo ainda não tem tantas procupações assim. Guilherme tem ajudado cada sábado no programa de música dando aulas de bateria para o Jonathan. Ele teve notas excelentes no seu primeiro semestre de Universidade e está contente com os resultados, até garantiu um emprego de meio período para ganhar experiência em sua área de estudos. O salário não é lá essas coisas, mas vai ajudá-lo em suas pequenas despesas.

Em junho tivemos o privilégio de contar com a visita da Cris, uma irmã de Atibaia – SP, que muito nos edificou ao compartilhar a palavra de Deus em nossa reunião de língua portuguesa. Também tivemos o privilégio de rever o Rev. Mario Alves e D. Meire que estiveram em rápida visita à Cidade do Cabo.

Agradecimentos:

  • Pelos nossos 21 anos de casamento e pelas bênçãos resultantes dessa união no dia 11 de julho
  • Pelos nossos parceiros de ministérios que oram por nós sistematicamente, enviam-nos o sustento financeiro e nos dão apoio emocional
  • Pela APMT e seu dedicado time de trabalho no escritório em São Paulo. Fazem a diferença em nossas vidas
  • Pelo crescimento espiritual de alguns refugiados como Daniel Neves e o Jonathan (congolês) que recentemente tomou decisão de seguir a Cristo e está bastante entusiasmado com a nova vida
  • Pela nossa possibilidade de retorno ao Brasil no fim do ano
  • Pela melhora na qualidade de vida da D. Elvira. Suas orações têm sido fundamentais
  • Pelos estudos dos nossos filhos e pelo trabalho em tempo parcial que o Guilherme conseguiu

Intercessão:

  • Pelo cuidado de Deus sobre refugiados desabrigados. A chuva e o frio são intensos esta época do ano. Tem havido nevascas nas montanhas em volta da cidade
  • Por livramento para o Guilherme em suas idas e vindas à Universidade. A violência aqui continua
  • Pelos recursos para as passagens ao Brasil. Somente para o trecho daqui a São Paulo, ida e volta, será necessário o equivalente a R$ 14.250.00 (quatorze mil duzentos e cinqüenta reais) – atual cotação
  • Pela alta nos preços de alimentos e combustíveis
  • Pelo futuro da John Wycliffe Christian School onde nossos filhos estudam desde que chegamos à Cidade do Cabo. Querem tomar as instalações e não temos para onde ir nem recursos para comprar outro local
  • Pelo C-STEP e os projetos em andamento
  • Pelo Cristopher Mukiza e Daniel Sacassau que estarão assumindo interinamente a classe de música
  • Pelos novos missionários em processo de preparação para virem estudar inglês na Cidade do Cabo

Despedimo-nos com saudades e um grande abraço.


Rev. Gessé, Iolanda, Guilherme, Philipe e Leonardo.


sexta-feira, 4 de julho de 2008

Que missão é esta?

Conforme Eugene Peterson com o uso as palavras se desgastam e já não surtem o mesmo efeito nos ouvidos das pessoas. Não conseguem apelar aos sentidos como antes por se tornarem banais e não representarem bem seu significado ou por representarem muitas coisas ao mesmo tempo. Nesta caso torna-se necessário a criação de outros mecanismos para explicar o que se pretende com esta ou aquela palavra.

Às vezes, com o passar do tempo muda completamente de sentido. Por isso Peterson defende que deveriamos "sacralizar" certas palavras e usá-las apenas o estritamente necessário, como no caso da palavra para "Deus", por exemplo. Os judeus nem mesmo ousam pornunciar o nome de Deus, o que é uma forma de preservar seu significado dessa corrosão natural.

Talvez não seja necessário chegarmos a esse extremo. Vale lembrar que todo extremo é perigoso. O equilíbrio deve ser sempre nossa meta.

Mas, será que o termo "Missão" está imune a esse tipo de desgaste? É claro que não. Já não serve mais para designar o que se pretendia no começo.

Missão militar, missão espacial, missão diplomática, missão política, missão... missão cristã, são apenas alguns sentidos em que a palavra tem sido usada. Porém, a questão não é o múltiplo sentido do uso do termo "missão" e sim, o sentido em que o termo missão tem sido empregado no contexto cristão.

Hoje o empregamos para designar muita coisa em termos de trabalho da igreja, e ao mesmo tempo quase nada.

Aluguns entendem a missão cristã como o ato de fazer proselitismo ou ao simples fato de fazer propaganda da fé. Há até quem imagine um missionário como um daqueles agentes de marketing nas esquinas das grandes cidades distribuindo folhetins todos os dias. Limita seu entendimento da missão cristã a uma mera propaganda religiosa, sem qualquer compromisso com o povo a ser alcançado.

Esse entendimento de missão tem lavado muitos marketeiros da fé a pensarem que tem o direito de interferir na vida de outros povos sem o trabalho viver entre eles e aprender deles mesmos sobre seus costumes e culturas, antes de estarem aptos a ensinarem qualquer coisa.

Entendo, é mais fácil e mais cômodo não me despir de minha cultura e do meu conforto para pensar como o outro pensa e viver como o outro vive. É mais fácil viver de meras "viagens missionárias", sem um projeto a longo prazo no meio do povo alvo. Sem ter que ter o compromisso de acompanhar qualquer resultado e digerir os conflitos que certamente haverão nesse necessário encontro com os valores do reino de Deus, coisa que só é possível no dia-a-dia, na beira do poço a tirar água, no mato a catar lenha juntos ou revendo sua ética na prática do coméricio.

Não me refiro a "viagens missionárias" como um projeto continuado com um determinado com alvos bem definidos, mas àquelas especulatórias em busca de "relatórios" na maioria das vezes fruto de uma visão superficial e distorcida que estas viagens lhes proporciona. E o que é pior, muitas igrejas imaturas no trabalho missionário acabam enaltecendo, alimentando e suportando este tipo de comportamento infantil.

Na verdade a missão cristã está muito mais relacionada à proclamação das Boas Novas do reino de Deus a étnicos que ainda não desfrutam do conhecimento do reino de Deus e seus valores. Trata-se, portanto, de algo muito mais profundo do que apenas fazer propaganda do Reino.

A missão cristã se define através do testemunhar de maneira efetiva acerca da graça salvadora de Deus aos povos onde Seu reino ainda não se encontra estabelecido. Isto requer investimento de tempo. Isto requer atitude de compromisso. Isto requer disposição de interagir no novo ambiente. Isto sim, é missão cristã.

domingo, 29 de junho de 2008

Parabéns Madiba!

Apesar dos recentes acontecimentos no país envolvendo ataques a imigrantes, a África do Sul tem vivido momentos de celebração. Aliás, arrisco-me a dizer que o mundo está celebrando mais um aniversário de uma das grandes personalidades humanas que nossa história conhecu - Dr. Nelson Rolihlahla Mandela, ou simplesmente Madiba.

Dia 18 de julho estará completando 90 anos. Admirado por muitos, incompreendido por alguns, Mandela continua sendo uma influência positiva na vida da nação, na vida de personalidades como o ex-presidente norte-americano Bill Clinton, a apresentadora de TV Oprah Winfrey, o cantor Bono, e na vida de muitas pessoas comuns.

A questão é: onde o Mandela se inspirou? Qual foi a fonte que o forjou para fazer dele o homem que é, reconhecido e amado por negros e brancos, por ricos e pobres, por jovens, crinaças e adultos? Não sabemos precisamente onde. De acordo com ele mesmo, foi fortemente influenciado pela sua cultura e tradições tribais. Certamente, não deixa de ser verdade. No entanto, entendo que a fé cristã com a imensa riqueza dos valores que ensina, vivida no contexto cultural de sua tribo no período de sua infância foi determinante para fazer dele o Nelson Mandela que chonecemos hoje.

Deus abençou a África do Sul através desse homem e de tantos outros anonimos que se uniram a ele para trazer um fim ao demoníaco sistema opressivo do Apartheid. Sua perseverança e determinação na concretização do sonho de ver um fim para aquele sistema realmente não podem ser ignorados. Sem dúvidas, um legado um grande legado para a humanidade em suas futuras gerações.

Parabéns Madiba! Parabéns!


quinta-feira, 19 de junho de 2008

UMA MILHA MAIS PERTO

Você não tem obrigação de saber, mas apenas para informar: da Cidade do Cabo a São Paulo, ida e volta via Johannesburg, são aproximadamente 10.800 milhas (17.388km). Para nossa família fazer esse percurso será necessário o equivalente a R$ 14.250,00. Se Deus permitir, no final deste ano estaremos realizando o sonho de rever nossos familiares e visitar igrejas que participam regularmente em nosso ministério.

De São Paulo iremos a Jataí (GO) onde mora a família da Iolanda para passar o Natal e o Ano Novo. De lá iremos à Bahia visitar meus familiares por 20 dias, de onde retornaremos a Jataí (GO) e ali ficaremos baseados até nossa viagem de volta para a África do Sul (junho/2009). Esse percurso doméstico (SP – Jataí – Mairi – Jataí – SP), em torno de 3.750 milhas (4.828km), custará cerca de R$ 6.000,00 para toda a família.

  • Cidade do Cabo – Johannesburg – São Paulo – Jataí – Mairi – Jataí – São Paulo - Johannesburg – Cidade do Cabo: 14.550 milhas (23.430km) = R$ 1,50 por milha.

Nosso percurso total, portanto, será de 14.550 milhas, com custo aproximado de R$ 21.825,00.

Se você deseja nos ajudar a chegar mais perto de casa e não sabe como, participe doando algumas dessas 14.550 milhas.

Para contribuir basta seguir as intruções contidas neste blog.

Juntos na caminhada cristã,

Rev. Gessé, Iolanda, Guilherme, Philipe e Leonardo.


terça-feira, 3 de junho de 2008

Ubuntu e seu significado

Ao ouvir esse termo pela primeira vez o leitor pode pensar que se trate de entidade espiritual de um culto afro qualquer. Principalmente aqueles irmãos cujas mentes são limitadas pelo corrente evangelicalismo brasileiro tendente a mistificar toda e qualquer idéia que soa estranho aos ouvidos sem, contudo, uma investigação ou pesquisa mais acurada.

O termo ubuntu tem sua origem nas línguas do grupo Bantu da região sul do continente africano. Esse termo serviu de basa estrutural comunitária da civilizacao Xhosa antes do advento da colonização européia. "Ubuntu" simplesmente quer dizer "tratar humanamente os outros". Num sentido mais elaborado esta palavra significa: "eu sou o que sou por causa do que somos todos juntos", conforme define um de seus pensamentos filosoficos.

Existe uma frese Zulu que os mais velhos costumam usar. Ela diz: "Umuntu ngumuntu ngabantu". Isto significa:
Umuntu - Uma pessoa
ngumuntu - é uma pessoa
nga - através/por intermédio de
bantu - pessoas (na verdade abantu)

De acordo com Justice Yvonne Mokgoro da Corte Constitucional da África do Sul, ubuntu serve "como a base moral de cooperação, compaixão, comunidade e preocupação pelos interesses da coletividade, preocupação pelos outros, e respeito pela dignidade da pessoa; todo o tempo enfatizando a virtude da dignidade nas práticas e relações sociais".

O conceito em torno dessa palavra é tão importante que a Linux desenvolveu um software com esse nome, baseado no sentimento de solidariedade que ele representa.

Em Ruanda e Burundi é comum as pessoas adivertirem umas às outras com as seguintes palavras: "gira ubuntu" que quer dizer, "tenha consideração", ou "seja humano", em relação ao sofrimento alheio.

Mas, ao que parece, o sentimento de irmandade está se esvaindo do meio das sociedades africanas já há muito tempo. Os recentes ataques xenófobos desencadeados por nativos sulafricanos sobre africanos oriundos de outros paises, os quais deixaram mais de 60 mortos, exemplificam muito bem essa tendência.

Mesmo sem ser africanos, sentimo-nos impulsionados pelo sentimento de ubuntu a abrigamos e oferecer assistência (com comida, reupas, medicamentos, etc.) a dezenas de refugiados em nossa igreja aqui em Cape Town, todos fugindo da violência xenófoba nas favelas onde moram. No momento estamos a acompanhá-los no lento e perigoso processo de reintegração naquelas comunidades.

Estamos lhes ensinando a adotarem o espirito de ubuntu ao reagirem às provocações dos nativos. Assim, o que recebem estão procurando repartir com aqueles que lhes agrediram.

Afinal, não foi exatamente isso que Jesus nos ensinou? Amar o inimigo e orar por ele, oferecer a autra face, andar a segunda milha... O conceito de ubuntu não é novidade para os filhos de Deus.

Infelizmente, a corrompida natureza humana tende a lutar contra tudo aquilo que edifica e é capaz de construir uma sociedade mais justa.

Que Deus continue tendo misericórdia da África do Sul.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Onde foi parar a "Rainbow Nation"?

África do Sul é conhecida como a Rainbow Nation em virtude de sua diversidade lingüística e cultural. Única nação com 11 línguas oficiais.

O Dia da Africa lembrado no dia 25 de maio é, via de regra, dia de comemoração dessa diversidade de povos e culturas.

No lugar dos discursos inflamados exaltando o desempenho econômico do país e suas relações amistosas com outros povos africanos, o Africa Day deste ano foi marcado por acontecimentos nada agradáveis.

Houve discurso sim, mas recheado de lamento e dor pelas 52 pessoas mortas nos ataques anti-estrangeiros que deixou aproximadamente 30 mil desabrigados e milhares em fuga para outros paises.
Tristeza de quem perdeu tudo
e não sabe para onde ir
Há um sentimento misto entre seus habitantes nesse momento. Por um lado percebemos certo sentimento de vergonha da parte das autoridades e pessoas de bem em geral e, por outro lado, vemos milheres de pessoas dominadas pelo medo e terror.

Parece não haver controle da parte das autoridades quanto ao número de estrangeiros vivendo no país. Há um número considerável de estrangeiros ilegais vivendo no país. A situação parece sem controle. Ninguém sabe exatamente quantos refugiados existem hoje na África do Sul. Porém, de acordo com o Instituto de Relações entre Raças, há entre 3 e 5 milhões de estrageiros refugiados no país.
Famílias abrigadas em igrejas
Desde que os recentes ataques iniciaram a 15 dias o governo ainda não tem planos concretos sobre o que fazer com o milhares de estrangeiros aglomerados buscando abrigo em igrejas, centros comunitários e delegacias de polícia.

Nossa igreja decidiu oferecer todas as suas dependências, que são limitadas em tamanho e quantidade, para abrigar e cuidar de pessoas em situação de risco, vitimas desse conflito. No momento estamos abrigando 46 pessoas, a maioria mulheres e crianças.

Tem sido difícil administrar o caos criado, porém, com o apoio da comunidade do Kenilworth que tem trazido cobertores, comida, remédios, roupas, etc., estamos conseguindo levar adiante.

Aliás, devo destacar aqui o contraste existente em toda essa situação. Se por um lado vemos nacionais se revoltando contra estrangeiros africanos por outro lado, estamos testemunhando a solidariedade da maioria do povo sulafricano para com as pessoas afetadas pela violência.

Tem sido doloroso ouvir suas histórias de como sobreviveram aos ataques. Muitas crianças continuam sem poder ir as escolas porque ainda há riscos de novos ataques.

A questão agora é: para onde ir? Muitos não podem voltar aos seus países de origem por questão de segurança. Mas, também, não podem voltar para as áreas onde estavam antes.

Mãe fugindo dos conflitos
com criança no colo

Resta-nos orar para que, de alguma maneira, a vida volte a normalidade.
Deus tenha misericórdia desta terra.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Afinal, quel é o nome? Cabo da Boa Esperança ou Cabo das Tormentas?

Esta região do continente é cohecida pelas constantes tempestades de ventos e correntes bravias no encontro dos dois oceanos, Índico e Atlântico. Até parece que os dois não se entendem e estão sempre a brigar.

O contorno do Cabo é conhecido como "cemitério de navios" em virtude do grande número de navios que afundaram nessa região ao longo de sua história. Com toda tecnologia ainda hoje se tem notícias de embarcações sendo vitmas de suas correntezas bravias.

Não é a toa que a região recebeu o nome de Cabo das Tormentas. Bem, creio que o nome "Cabo da Boa Esperança" foi uma tentativa de desmistificar a idéia negativa que se teve a priori.

O fato é que a feroz e constante luta entre os dois mares, podem muito bem representar as tensões milenares existentes entre os milhares de grupos étnicos deste belo continente. Na África do Sul estamos presenciando essa tensão de maneira ainda mais clara nos últimos dias.

Ninguém imaginava que de uma hora para outra, como ocorre com as tempestades de ventos fortes que varrem a região do Cabo (das Tormentas ou da Boa Esperança), tudo se tranformaria na brutalidade que estamos presenciando. A calma rotina da cidade em questão de horas cedeu espaço à pancadaria, destruição e morte.

Ao longo desses doze dias de conflitos 43 pessoas já foram mortas, centenas de feridas e mais de 28 mil desabrigados. O exército foi chamado a cooperar com o trabalho da polícia.

Barracas para abrigar refugiados estão sendo armadas, contrariando a política sulafricana de integração dos refugiados ao invés de isolamento em campos de refugiados sob controle da ONU- modelo que é adotado na maioria dos países.

Ontem foi um dia de cão para muitos moçambicanos tentando fugir da África do Sul. As autoridades nas fronteiras estavam tendo dificuldades para processar documentação de pessoas escapando dos conflitos.

Em pouco mais de uma semana os epsódios se alastraram por diversas partes da província de Gauteng. A preocupação de era que isso não se espalhasse pelas demais províncias.

Infelismente, as ondas provocadas pela tempestuosa violência parecem ser mesmo contrárias. Em apenas 24 horas o mal se espalhou para as províncias de Kwazulu-Natal, mais precisamente na cidade de Durban, e Western Cape, particularmente na Cidade do Cabo.

Domingo, 25 de maio será dia de celebração quando se comemora o "Africa Day". Há rumores divulgados em panfletos anonimos de que os ataques se intensificarão por ocasião das celebrações. Esperamos que não.

Estamos a nos perguntar: onde foi parar a tão badalada "Africa Renascence" orgulhosamente apresentada na posse do então presidente Thabo Mbeki? Onde foi parar o conceito de "espírito Ubunto" do povo africano? Certamenta há alguma coisa errada no ar.

Estamos articulando abrigar estrangeiros (refugiados) nas dependências da igreja. Os devidos preparativos para recebê-los estão sendo feitos (roupas, cobertores, comida, etc. estão sendo estocados).

Acabo de receber telefonema de uma refugiada, grávida e com uma filhinha de apenas 3 anos de idade. Ela vive numa favela e está sofrendo sérias ameaças. Nesse momento (são 18h30) não há mais transporte público saindo daquela localidade.

Por outro lado, como estrangeiro também não posso ir lá. No entanto, temos a arma da oração à qual nos apegamos na viva esperança que Deus, o Todo-Poderoso, a protejerá juntamente com sua filha.

E assim aguardamos que o amanhecer traga consigo a calmaria que todos precisamos nesta terra já banhado por tanto sangue inocente.

Que Deus tenha misericórdia da África do Sul e seu povo.

terça-feira, 20 de maio de 2008

E a violência continua...

A história de violência na África do Sul vem se tornando mais evidente ainda com os recentes ataques contra estrangeiros.

Para quem não sabe, o país vem sofrendo com um alto índice de desemprego. Dados não oficiais apontam para um índice superior a 40% de sua mão de obra ativa desempregada.

Muitos nativos atribuem isso ao grande número de estrangeiros vivendo no país, os quais, segundo eles, "roubam" suas oportunidades de emprego, suas mulheres, suas casas, etc.
Na verdade o que ocorre é que boa parte desses refugiados se submetem a qualquer exigência para obter um emprego, são diligentes no trabalho, muitos deles responsáveis e confiáveis.

Fazem qualquer coisa para segurar o trabalho que conseguem. Para eles é uma questão de sobrevivência. Além do geralmente são pessoas bem educadas e bastante qualificadas.
Malawiano sendo socorrido pela polícia da África do Sul depois
de sofrer queimaduras e pauladas provocadas
por manifestantes anti-imigrantes
É comum encontrarmos refugiados profissionais liberais congoleses (advogados, administradores, etc.) fazendo trabalho de vigias ou guarda-carros nos estacionamentos de shoppings e supermercados.

Muitos chegaram à África do Sul há anos. Aqui estudaram, contraíram família e se estabeleceram. Por isso os nacionais dizem que tomaram saus mulheres, trabalhos e oportunidades.

A situação é bastante grave na grande Johannesburg, província de Gauteng onde em apenas uma semana a violência já ceifou a vida de 24 pessoas. Nas demais províncias ainda é mais ou menos tranqüila, mas vive-se sob certo nível de tensão.

Nossa igreja aqui tem assumido uma postora pastante acolhedora em relação a estrangeiros refugiados. Sua membresia é hoje composta de pessoas oriundas de 12 países diferentes. Vemos isso como uma enorme riqueza em termos pois nos ajuda a aprender apreciar e respeitar o diferente.

Nossas línguas, nossos costumes, etc. naturalmente não são iguais, mas aprendemos a amar e valorizar a pessoa por traz de sua roupagem cultural.

Porém, se por um lado isso é algo maravilhoso por outro, é algo também preocupante. Temos receio que nossos irmãos repentinamente se tornem alvos dessa violência brutal.

Temos feito o que podemos e devemos fazer que é orar ao Pai pela segurança dos nossos irmãos e para que haja um fim para o presente quadro monstruoso que vivemos nesse país.

Deus tenha misericórdia da África do Sul!

sábado, 17 de maio de 2008

Discriminação em dose dupla

Isso mesmo...

É exatamente o que se vive hoje na África do Sul, país sede da próxima copa do mundo de futebol em 2010. Discriminação...

Em 1948 estabeleceu-se na hoje Republica da África do Sul a política de segregação racial, através da qual criou-se uma série de leis a fim de oferecer ao governo mecanismos legais que lhe permitisse exercer controle absoluto sobre o movimento das pessoas.

Por carca de cinco décadas o governo controlava e limitava seus diversos grupos étnicos, inclusive impedindo qualquer possibilidade de mobilidade social, seja ela física ou econômica. Desse o estado determinava onde cada grupo de indivíduos poderia morar e que lugares lhes era permitido frequentar.

Essa política nefasta teve o seu fim com as eleições presidenciais de 1994, quando o bastião das forças que se opunham a tal regime, Dr. Nelson Rolihlahla Mandela, foi eleito o primeiro presidente da nova República da Africa do Sul. Filho de país cristãos, metodistas, esse homem sempre expressou valores cristãos em sua postura prática, coerente com suas convicções.

Naquela altura os mais otimistas em todo o mundo esperavam uma transição no mínimo conturbada, enquanto internamente muitos pensavam que veriam um banho de sangue.

Dr. Nelson R. Mandela, Madiba
Porém, o grande e respeitado estadista que no próximo dia 18 de julho de 2008 completará 90 anos de idade, mostrou ao mundo, e em em particular ao resto do continente africano, que não é possível governar, e nem mesmo viver, fundamentado no ódio porque o ódio nada constroi.

Levou seus patrícios a superarem o rancor causado pelas experiências brutais do passado e a buscar reconsiliação através da nobre disposição de perdoar. Com isso levou-os a ver o ódio como um veneno, um inimigo ao invés de uma ferramenta, uma mortífera.

Recentemente, participando de uma campanha nacional na televisão visando a regeneração dos valores morais na África do Sul, Mandela afirmou: "o perdão, além e antes de libertar o ofensor de sua culpa, liberta você do ódio e lhe deixa livre para viver novamente".

Esta foi sua atitude ao pavimentar o caminho para o perdão pelas atrocidades cometidas contra si mesmo e contra seu povo nos recentes 50 anos da história. Foi o primeiro a perdoar seus algozes. Isto é, perdoar àqueles que foram capazes de reconhecer a monstruosidade do Apartheid.

Após 26 anos encarcerado, tendo sua vida e juventude praticamente destruidas pelo tal regime, Mandela assume o poder e, quando cogitado para uma possível re-eleição no final do seu mandato, deu mais uma lição aos líderes políticos dos nossos dias obcecados pelo poder.

Entendeu que havia cumprido seu papel. Semeou iguldade entre os povos do seu país, criou o conceito de Rainbow Nation, restabeleceu a liberdade individual dos seus cidadãos e entregou o país em franco crescimento econômico. Um milagre em face ao cenário pessimista instaurado naquela época.

O mundo não imaginava que esse seria o caminho que a belíssima África do Sul iria percorrer. Todos esperavam o pior, mas pela graça de Deus isso não aconteceu.

No entanto, algumas das lições ensinadas por Madiba, parecem estar caindo no esquecimento coletivo.

Coincidentemente, à medida que vai perdendo seu vigou físico a nação parece também estar perdendo a nobreza e abandonando os valores que conduziram esse homem a unir a nação em torno do propósito de destruir aquele regime maléfico.

A discriminação agora parece ser da parte dos sulafricanos em relação a estrangeiros vivendo na África do Sul. No período do Apartheid muitos sulafricanos buscaram refúgio em outros países.

Zimbábue, por exemplo, recebeu e abrigou milhares de sulafricanos, oferecendo-lhes empregos e oportunidades.
População reunida em assentamento onde vem
ocor
rendo ataques a estrangeiros
Hoje estamos testemunhando uma onda de ataque de sulafricanos a zeimbabuanos que fogem para cá em busca de refúgio contra o regime ditarorial de Robert Mugabe a mais de 26 anos no poder naquele país.
Somente essa semana no mínimo 22 pessoas (refugiadas) já foram assassinadas, estupraram mulheres e centenas estão feridos. Alguns tiveram seus barracos e pequenos negócios incendiados e, como consequência, cerca de 6 mil pessoas estão buscando se esconder em lugares mais seguros como igrejas e delagacias de polícia.
Zimbabuano sendo queimado por manifestantes
anti-estrangeiros no distrio de Alexandra
em Johanesburgo
De acordo com a agência de notícias Reuters há aproximadamente 3 milhões de zimbabuanos buscando refúgio na África do Sul.
Existem igrejas e organizações não-governamentais buscando oferecer apoio e amparo às familias atingidas, mas passam também a sofrer intimidações.

O grande temor no país nesse momento é que o sentimento anti-estrangeiro vá além da província de Gauteng e se alastre para as outras 8 províncias.

Atitudes semelhantes a estas ocorreram recentemente em outras partes do país culminado com a morde de diversos refugiados somalis.

É! Parece que ainda não deu para aprender a lição ou caiu no esquecimento o quanto doi de ser discriminado pelo simples fato de pertencer a outro grupo étnico.

Sentimos profundamente a dor daqueles que conseguem escapar às crises dos seus países de origem na simples busca pela sobrevivência, mas continuam sendo procurados como se fossem criminosos.

Quanto a nós, que Deus nos livre desse mal!

Mas, afinal, que crime cometeram? Bom, ao que parece seu único "crime" é o ser estrangeiro.

Deus tenha misericórdia da África do Sul!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Transporte em Cape Town


ALVO: Adquirir um carro utilitário para atender às necessidades de locomoção dos participantes do projeto C-STEP.

Motivação:

  • Cape Town é uma grande cidade que abrange diversas cidades satélites – cerca de 4,5 milhões de habitantes - geograficamente bastante espalhada (um raio de aproximadamente 70km). O sistema de transporte público é deficitário e, não raras vezes, inseguro (poucas linhas de trem, poucos ônibus urbanos, nenhum táxi nos subúrbios).
  • Refugiados que participam das reuniões precisam consantemente de apoio com transporte para retornarem aos seus alojamentos - há transporte público somente em certas horas do dia, sobretudo nos finais de semana.
  • O projeto conta apenas com o carro particular do Pr. Gessé Rios (4 lugares + motorista), imprescindível para o uso da sua própria família.
  • Um carro utilitário facilitará o transporte de missionários e visitantes ao aeroporto, e também na sua locomoção em situações especiais.
  • Por fim, é imprescindível no trabalho do dia-a-dia do projeto para atender comunidades distantes - favelas, orfanatos, casas de apoio, etc – e para viagens missionárias de curto período.

Especificações:

  • Veículo utilitário de 11 lugares
  • Ano 2000 (ou mais novo)
  • Investimento: U$D 15.000 (100 quotas de U$D 150)

CONTRIBUIÇÕES:

Banco Bradesco - Agência: 119-8 (Cambucí) - C/C: 107965-4

Banco do Brasil - Agência: 0635-1 (Cambuci) - C/C: 7500-0

Transferência online - CNJP: 04.138.895/0001-86

MUITO IMPORTANTE: Ao contribuir para esse projeto solicitamos o favor de entrar em contato com a APMT (011) 3207-2139, e-mail apmt@apmt.org.br, skype: APMTIPB, ou MSN apmtipb@hotmail.com informando data, valor e origem.

Administração do Projeto: Rev. Gessé Almeida Rios

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Carta de Oração (Notícias - Abril 2008)

Rev. Gessé e Iolanda Rios

294 Main Rd, Kenilworth * 7708 Cape Town, South Africa


Cidade do Cabo, abril de 2008


Era, porém, Josué já velho, entrado em dias; e disse-lhe o Senhor: Já estás velho, entrado em dias; e ainda muitíssima terra ficou para possuir. Josué 13:1


O que se diz a respeito de Josué nesta passagem se aplica a todos nós. Ela descreve, de certa forma, nossa trajetória nesse mundo. Somos trazidos à vida e chamados por Deus para executarmos, na terra, nosso papel como cidadãos dos céus. Estamos certos que desde que nascemos caminhamos para o fim dos nossos dias terrenos. Mas qual será o resumo que se fará da nossa vida. O texto não diz, mas está implícito nessas palavras o árduo, porém, excelente trabalho de Josué no processo de conquista da terra. A palavra não é de reprovação ou lamento do tipo: Você envelheceu, está fraco e não cumpriu seu propósito aqui. Mas, sim, você agora está velho e ainda há muito a conquistar, porém, já conquistou bastante. Isso implica em que outros precisam dar continuidade na tarefa da conquista. O fato é que sempre haverá ainda muito a conquistar. Portanto, enquanto estamos aqui, não desfaleçamos. Trabalhemos enquanto é dia como o Senhor nos ensinou, pois a noite vem quando nenhum trabalho mais poderá ser feito.

Depois de um breve recesso, conforme calendário letivo do país, reiniciamos os trabalhos nas salas de música, costura e computação. Estamos contentes com os resultados até aqui. No programa de computação, a procura diminuiu no começo do ano, mas reiniciamos após recesso com mais uma classe. A procura pelas classes de digitação, que são conduzidas pela Silvia, tem sido boa. Silvia tem se envolvido bem com o trabalho e no relacionamento com a Igreja Presbiteriana do Kenilworth. No programa com a música Cristopher e Daniel vêm se destacando bastante. O Pr. Marcos, responsável pela classe de música, estará formando um grupo musical com eles para nos acompanharem no culto em português. Alivera e Chance continuam firmes na fé e na costura. Recentemente foram recebidas como membros da igreja. Alivera se casou há alguns meses com outro refugiado do Burundi e está esperando um bebê.

Um programa cristão de televisão que é apresentado no SABC2, um dos canais de maior audiência no país e região sul do continente, esteve aqui por dois dias fazendo gravações para uma entrevista com o Pedro Vicente, refugiado cego angolano que se converteu por intermédio do nosso trabalho há 3 anos. O programa foi ao ar no último domingo dia 13 e teve grande repercussão. Foi algo bem feito e certamente levou muita gente a refletir de maneira mais séria sobre a vida com Deus. No programa fui apresentado como missionário brasileiro, já fui até abordado na rua por pessoas fazendo perguntas sobre o Brasil e sobre a conversão do Pedro. Apesar de cego Pedro é um rapaz bastante inteligente e informado. Parece ter uma fonte inesgotável de energia. Nesse momento, através de uma ONG que oferece apoio a deficientes, está fazendo equitação, isso mesmo! Nesta foto ele cavalgando na praia com uma instrutora, segundo ele, realizando um dos seus maiores sonhos. Disse que depois de sua conversão esse foi o dia mais feliz de sua vida.

Uma das frustrações do trabalho com refugiados é que de vez em quando alguns somem e ficamos meses sem ao menos ter notícias. Foi o que aconteceu com o Avelino. Após cerca de dois anos o encontramos de volta. Está bem, apesar de ter passado por situações bem complicadas em Moçambique. Está trabalhando e tem que viajar bastante, o que dificulta nosso contato, mas o temos encorajado a continuar buscando o Senhor através da oração e leitura de Sua Palavra. O Antonio Zoio também havia sumido há alguns meses. Ele não é refugiado, mas o temos acompanhado, pois o encontramos um pouco distanciado dos caminhos do Senhor. Felizmente fomos informados recentemente que está bem, conseguiu um emprego em Angola e agora está casado. Soubemos que está muito bem também em sua vida com Deus, isso nos alegra.

Alegramo-nos bastante também por reencontrarmos a Cindy. Ela é uma jovem senhora sul-africana que conheceu a Cristo há alguns anos no Brasil através do serviço de capelania penitenciária realizado por irmãos de uma Igreja Presbiteriana em São Paulo. Cindy hoje é casada, tem um filhinho e serve ao Senhor. Sua história é simplesmente comovedora e nos mostra que Deus em Sua soberania e infinita misericórdia atua em circunstâncias das mais inusitadas. Também nos mostra que Ele sempre honrará nossos esforços no objetivo de alcançar o homem perdido. Fico pensando: se durante o tempo que essa jovem esteve presa no Brasil nenhuma igreja tivesse se preocupado com ela, talvez continuasse ainda longe da Verdade que liberta. E provavelmente toda sua família sem o conhecimento de Deus. Hoje a maioria e cristã.

Silvia e Laura continuam bem o processo de adaptação cultural e envolvimento com a Igreja Presbiteriana do Kenilworth. Todos as tratam com muito carinho. Até parece que já se conheciam de longas datas. A Laura está se entrosando bem na escola e acompanha com certa facilidade o ritmo entre os colegas.

No momento estamos com dois novos projetos em faze de implementação. O projeto para aquisição de um veículo maior para servir melhor o trabalho tem sido divulgado e vem gerado considerável repercussão. Algumas ofertas de pequeno valor já foram feitas e cremos que Deus há de multiplicar esses esforços visando melhor servi-Lo aqui. O outro projeto, iniciativa da APMT e que há muito tem estado em meu coração, será divulgado em tempo oportuno e já conta com total simpatia da Igreja parceira aqui na África do sul.

Nossa família está bem, graças a Deus. Os meninos estão muito bem nos estudos. Nossa preocupação maior no momento continua sendo a saúde da D. Elvira. Está terminando uma série de sessões de radioterapia. Teve bem doente com a febre da dengue e agora não consegue se alimentar bem por falta de apetite. Vemos nossa viagem ao Brasil no final do ano para um maior período de tempo como uma necessidade cada vez mais urgente. Esse é um projeto para o qual pedimos suas orações. Há muita coisa para conciliarmos nesse processo. Precisamos decidir tudo à luz dos trabalhos aqui, da escola do Philipe e Leo, Universidade do Guilherme, etc. Inicialmente estamos planejando tirar os dois primeiros meses para estar entre nossos familiares na Bahia e Goiás e os quatro meses seguintes para visitar as igrejas parceiras do projeto. Ainda não disponibilizamos de nenhum recurso para essa viagem. Portanto, como dissemos anteriormente, precisamos que nos ajudem em suas orações para que Deus nos dê a melhor solução possível.

Agradecimentos:

  • Pelo reinício dos trabalhos no projeto
  • Pela adaptação da Silvia e Laura
  • Pelo apoio que temos recebido da Silvia nos trabalhos
  • Pelos estudos dos nossos filhos

Intercessão:

  • Por livramento para o Guilherme em suas idas e vindas da Universidade. África do Sul é considerada um dos países mais violentos do mundo
  • Pelo tratamento da D. Elvira
  • Pelo alto custo de vida no país
  • Pelo futuro da Escola Cristã em que nossos filhos estudam desde que chegamos à Cidade do Cabo
  • Pelos projetos em andamentos e projetos a serem implementados
  • Pela nossa viagem ao Brasil no final do ano.

No amor do Mestre

Rev. Gessé, Iolanda,

Guilherme, Philipe e Leonardo.

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Contribuições para o ministério do Rev. Gessé e Família podem ser feitas das seguintes maneiras, sempre usando o código 0,14 em centavos, por exemplo: 100,14:

Banco do Brasil

Agência: 0635-1 (Cambuci) - C/C: 7500-0

Banco Bradesco

Agência: 119-8 (Cambucí) - C/C: 107965-4

Transferência online

CNJP: 04.138.895/0001-86

Ou boleto bancário – Neste caso ligar para o (011 3341 8339) solicitando boletos bancários para efetuar o depósito.

sábado, 22 de março de 2008

Devocional: Rasgou-se o véu

Rev. Gessé A. Rios

Lc. 23:45 (cf. Êx. 26:33; Mt. 27:51; Mc. 15:38)

Esse não era um tipo comum de cortina e estava ali não para decoração ou para proteção contra a luz forte do sol.

A razão de estar alí era para fazer separação, mas não se tratava de um ato de discriminação.

Estava ali por medida de segurança.

Era uma menasagem de Deus para dizer que Ele é totalmente santo e não pode se contaminar com as nossas impurezas.

A arca da aliança que estava do outro lado da cortina e era a representação física da sua presença.

Aquela cortina era, portanto, um ato de proteção da parte de Deus para o seu povo.

O lugar santíssimo, o mais santo de todos os lugares, por causa da presença de Deus representada na arca, não podia ser exposto.

Era extremamente perigoso para o ser humano, pecador por naturza como é, entrar ali sem se preparar adequadamente para isso.

Apenas o sumo sacerdote podia entrar naquele, mas somente uma vez por ano, isso depois de se purificar dos seus próprios pecados, através sacrifício de um cordeiro sem mancha ou defeito (sem derramamento de sangue não há remissão de pecados).

Só então, está ápto a entrar naquele lugar santíssimo para interceder pelos pecados do povo.

A grande e boa notícia é: Jesus fez isso uma única vez para para sempre. Ele é ao mesmo tempo o Sumo Sacerdote que oferce o sacrifício e o Cordiro Perfeito que foi ofercido de uma vez por todas.

Para aqueles que estão em Cristo já não há nenhum perigo em se aproximar de Deus. Porque Ele, através do Seu sangue, nos purifa de todos os nossos pecados. Para aquels que vivem sem Ele ainda resta o grande perigo de ser consumido eternamente.

Na verdade o escritor da carta aos Hebreus no capítulo 10, vessos 19 a 23 encoraja aqueles que já tiverem suas vidas lavadas no sangue do Cordeiro com as seguintes palavras:

Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que Ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sumo sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fil é o que prometeu.

Aqueles que confiam em Jesus podem se aproximar do Pai, o santíssimo Deus, em arrependimento, sem receio ou medo algum de ser consumido por causa dos pecados.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Artigo: De onde me virá o socorro?

Rev. Gessé Almeida Rios

Era o início da reconstrução do país. Moçambique havia mergulhado em mais de 20 anos de guerras. Foram praticamente duas: a chamada “Guerra Independentista”, que ocorreu entre os anos de 1964 e 1975 e a “Guerra Civil” entre os anos de 1975 e 1992, que praticamente arruinou o país. A população estava começando a respirar ventos de liberdade de poder ir e vir, sem a ameaça de serem apanhados de surpresa numa emboscada. As estradas eram poucas naquela altura e as que existiam estavam em péssimas condições. O sistema de esgoto e saneamento em quase todas as cidades tinha sido totalmente destruído por falta de manutenção. O saneamento precário aumentava a incidência de malária, primeira causa de morte no país, depois da AIDS/HIV conhecida ali como SIDA. Raramente tínhamos água nas torneiras, a sujeira dos esgotos escoria pelas ruas todo o tempo. O lixo se espalhava por toda parte. A eletricidade oscilava bastante, às vezes ficávamos horas e até mesmo, dias, sem energia. Mas a situação ia melhorando aos poucos e tudo isso eram apenas detalhes diante do futuro promissor que aguarda sua jovem população.

Nove meses haviam se passado desde que chegamos ao país como missionários da JME (Junta de Missões Estrangeiras) – atualmente APMT (Agência Presbiteriana de Missões Transculturais) - numa parceria informal de trabalho com a MIAF (Missão para o Interior da África). O período inicial de ajustamento ao novo ambiente cultural foi bastante difícil para nós. A saudade pesava muito, mas não tanto quanto as constantes doenças na família. Nossas crianças eram ainda bem pequenas. Nosso filho mais tovo tinha apenas dois anos de idade. De início passamos por algumas malárias com sérias complicações. O clima excessivamente quente e úmido da Cidade da Beira, capital da província de Sofala banhada pelo belíssimo Oceano Índico, complicava ainda mais as coisas. O calor intenso mesmo durante, um incomodo à parte, não nos permitia nem mesmo dormir o suficiente para repor as energias.

O constante barulho nas ruas até durante as madrugadas completava o ambiente hostil à saúde emocional de qualquer pessoa. Lá fora tudo parecia motivo de festa, ou de briga. Desde o nascimento de uma criança, um casamento, a chegada de um parente que estava morando um pouco distante, um casamento ou mesmo um funeral. Os tambores eram componentes imprescindíveis na maioria daquelas comemorações.

Além disso, a qualquer hora do dia ou da noite era possível ouvir pessoas conversando em voz alta discutindo um assunto importante, brigando, ou ainda pilando milho ou amendoim no andar de cima do nosso apartamento. O barulho intensificava nas operações “mbava”, o famoso pega-ladrão para o linchamento. Faziam isso com freqüência e por vezes acabavam matando o coitado. Toda essa situação aumentava ainda mais nosso nível de estresse.

Estávamos no período de adaptação aprendendo a conviver com as diferenças culturais e climáticas. Seguíamos nossa vida normalmente dentro do planejado procurando estabelecer relacionamentos e criar nosso ambiente de ministério. Apesar de todas as lutas, no aspecto ministerial as coisas corriam bem. No entanto as complicações aumentavam à medida que o tempo passava. Com três crianças pequenas e sem a nossa própria moradia sendo obrigados a morar hoje aqui amanhã ali, dificuldades com sustento para a família, além de uma doença “misteriosa” que abatia minha doce e amável esposa - Iolanda. Digo “misteriosa”, porque tanto nós como os médicos que consultávamos ficamos por mais de um ano sem saber que se tratava de uma depressão profunda. Graças a Deus, hoje ela está praticamente recuperada. Mas o pior estava por vir e nós não sabíamos!

As crianças estavam seguindo firmes seus estudos na Escola Portuguesa da Cidade da Beira e as férias escolares estavam prestes a chagar. Estava empenhado no ministério dando aulas no Instituto Bíblico da província de Sofala. Dentre outras matérias, estava lecionando a perspectiva bíblica da “Demoniologia” (estudo acerca dos demônios). Assunto crucial no ministério pastoral no contexto africano. Muitos dos nossos alunos eram pastores sem qualquer treinamento bíblico-pastoral. Para a grande maioria deles não competia a nós lidarmos com esse assunto, pois somente os curandeiros tinham autoridade sobre os espíritos.

Lembro-me do meu primeiro dia de aula nessa disciplina. Podia ver nos rostos dos alunos os olhares de medo e pavor dos espíritos. A opressão espiritual de grande parte da população é algo muito forte, mesmo os crentes vivem sob a cultura religiosa do medo. Os “espíritos dos ancestrais” têm mais autoridade sobre os familiares vivos que qualquer autoridade viva. Movido por esse conceito mm deles me perguntou:


- Professor, o senhor não acha que é muito perigoso estudar isso sem pedir autorização?

Perguntei-lhe de volta:

- “Autorização” de quem?

- Daqueles que são os responsáveis.

Respondeu ele.

Entendendo onde queria chegar, mas ao mesmo tempo desejando vê-lo romper o medo de tratar de assuntos dessa natureza, perguntei:

- Quais seriam os responsáveis?

Demorou um pouco para responder, aparentemente preocupado, temperou a garganta e começou falar dos poderes das trevas. De como se utilizam da autoridade dos ancestrais para dominarem sobre famílias inteiras. Relatou uma série de experiências horripilantes vivenciadas em sua própria família. À medida que falava parecia estar sendo invadido por uma forte onda de pavor. Interrompi e lhe disse:

- Estamos todos nós aqui debaixo da mais alta de todas as autoridades. Todos nós já fomos lavados pelo precioso sangue de Jesus. Nenhum poder terá mais domínio sobre nós, a não ser somente o poder de Deus. Em seu sangue fomos purificados de toda impureza que nos obrigava a viver dominados pelo medo e de Satanás. Agora somos livres... totalmente livres. Por causa do sangue de Jesus sobre nós, é o nosso inimigo quem fica incomodado com a nossa presença.

Então respondi a sua pergunta:

- Ele não só me autorizou a ensinar a verdade sobre isso como me ordenou fazê-lo.

Ele, não satisfeito retrucou:

- Mas o senhor não tem medo do que possa acontecer?

- Claro que não! Maior é a força e a autoridade d’Aquele que está em nós do que a força a autoridade d’aquele que está agindo no mundo. Respondi parafraseando 1Jo 4.4.

Como dentro dos próximos dias também teríamos um intervalo letivo de duas semanas no Instituto Bíblico, decidimos então aceitar um convite de um dos nossos colegas missionários para passarmos aqueles dias de férias na simpática cidade de Bulowayo no Zimbabwe. Já estávamos em Moçambique havia seis meses. O plano era ficarmos 15 dias na fazenda de um casal de amigos naquela cidade. Começamos os preparativos. As crianças estavam bastante animadas com a idéia da viagem. Era um tempo para Iolanda recuperar-se um pouco e fazer alguns exames médicos na busca de uma resposta para o que estava sentido.

Conforme combinamos, saímos da Cidade da Beira às cinco horas da manhã da Quarta-feira dia 25 de setembro de 1996. Como costumamos fazer antes de colocar o pé na estrada em qualquer das nossas viagens, encostamos o carro na saída da cidade nas proximidades do bairro da Manga para um período de oração. Guilherme, nosso filho mais velho que naquela altura estava prestes a completar sete anos de idade, disse:

- Deixe eu orar! Por favor, deixa eu orar!

Ele estava tão eufórico... Consentimos que orasse e ele começou:

- Papai do céu abençoe a nossa viagem e protege a gente até o “Buluaio”. Em nome de Jesus, Amem!

Terminada sua oração todos concordamos com um caloroso “Amém” e seguimos viagem sabendo que teríamos pela frente um longo dia de sol e muito calor.

O clarão no céu sobre o Oceano Índico atrás de nós indicava que logo o sol apontaria no horizonte. Durante as três primeiras horas de viagem aqui e ali nos deparávamos com um trecho sob forte neblina. No mais tudo corria muito bem! As crianças iam se divertindo, cantavam, brincavam, contavam histórias, riam... e, como é próprio delas nessa idade, de vez em quando tinham uma pequena rixa. O ambiente era mesmo bastante agradável. Não havia muito movimento na estrada, exceto nas barreiras nos trechos interrompidos pela empresa brasileira, Odebrech responsável pela reconstrução da estrada. Após sermos liberados nessas paradas, tudo corria normal. Quatro horas de viagem se passaram e já havíamos percorrido aproximadamente duzentos quilômetros. Repentinamente o inesperado aconteceu.

Havíamos feito uma pequena parada para estirar as pernas há pouco mais de trinta minutos. Nossos amigos também pararam. Conversamos um pouco, fizemos um pequeno lanche e voltamos aos carros. Nosso filho mais velho pediu-nos para deixar o nosso carro e seguir viagem no carro dos nossos amigos para ir conversando com os filhos deles. Concordamos com isso, assim sobraria um pouco mais de espaço para os dois mais novos, de 3 e 5 anos, dormirem um pouco. Retomamos a viagem e logo, os dois vencidos pelo sono sem o hábito de levantar tão cedo, começam a dormir. Cerca de 20 minutos depois entramos num trecho da rodovia completamente restaurado e liberado pela empresa brasileira, porém, sem qualquer sinalização.

Alguns quilômetros à frente, um grande precipício. Exatamente no meio de uma curva fechada, num decida que culminava com uma ponte sobre um rio a 3 km da Vila de Manica, a construtora havia retirado o asfalto e colocado cascalho solto nas cabeceiras da ponte sem qualquer sinalização. Resultado, perdemos o controle do veículo. O carro derrapou sobre o cascalho e rodou sobre a ponte. Em seguida foi contra as grades de proteção, rompendo-as e caindo no leito do rio.

Naquela fração de segundo que mais parecia uma eternidade, sob intensa descarga de adrenalina que paralisou praticamente todo o meu corpo, tudo a que tive tempo e me restou a fazer foi gritar: JESUS! Não advogo haver qualquer poder na palavra em si mesmo, mas na oração de desespero que, apesar de curta, disse tudo que precisávamos dizer naquele momento. Deus entende perfeitamente nossos clamores ainda que não sejam cheios de palavras bonitas e bem elaboradas. Deus entende! Foi o meu “Amém” prático à oração do nosso filho ao deixarmos a cidade quando disse:“...protege a gente”. Naquele curto espaço de tempo quase impossível de ser medido ainda tive tempo de experimentar sentimentos horríveis que certamente não foram semeados por Deus em meu coração. Estava ali um homem de carne e osso, sujeito aos temores e lutas comuns a todos os homens. Experimentei uma enorme sensação de culpa e fracasso. Não pude evitar ter que enfrentar meus próprios questionamentos do tipo: Como posso ter feito isso? Como pude tirar a minha família de sua situação de segurança, cercada pelos familiares em seu país para destruí-la aqui na África nessas condições? Veio-me à mente as palavras de uma colega que tentava me dissuadir de não ir em frente com plano de seguir para a África com a família, chamando-me de louco.

De onde nos viria o socorro naquele momento? Como o salmista (Sl. 121.1,2), continuava convicto de que o nosso socorro só poderia vir do Senhor. Deus entendeu e traduziu em oração os sentimentos do meu mais profundo íntimo que não puderam ser expressos em palavras. Não houve tempo para isso, mas Ele sabia que no meu coração Ele é o único socorro bem presente, jamais ira recorrer a outra fonte sobrenatural fora dEle. Mesmo com os sentimentos confusos, minha única esperança de livramento de algo mais grave residia somente em Deus. É dEle que vem o nosso socorro como de fato aconteceu.

O carro, já parcialmente destruído pela batida contra as grades de proteção da ponte, desceu em queda livre de cerca de 6 metros de altura contra as pedras no leito do rio. Como não era período de cheias e não se tratava de rio perene, havia apenas um filete de água correndo. Assim não tivemos problemas com água. Pneus e amortecedores estouraram com impacto da queda. Estávamos todos presos dentro de um bolo de ferros retorcidos. Havia muita poeira e a visibilidade era a mínima, mas pude perceber movimentos dentro do carro e em seguida escutar choros. Com muitas dores na cabeça, no tórax e coluna, consegui ajudar minha esposa e as crianças sair. Era quase impossível dar um passo, mas tínhamos que subir os barrancos do rio até chegar à estrada. As crianças choravam desesperadamente e não conseguiam andar. Nós também não podíamos apanhá-las.

Graças a Deus nosso colega, que estava num carro maior e mais pesado, conseguiu passar sem problemas pelo local. Ele logo viu pelo retrovisor uma grande poeira e percebeu que não o seguíamos mais. Assim, retornou ao local do acidente e, com sua ajuda, fomos levados a um hospital na cidade Mutare já no Zimbabwe. Um dos nossos filhos sangrava muito e à mediada que nos refazíamos do susto as dores aumentavam. Depois de várias horas no hospital e alguns raios-x, contatou-se que nenhum de nós tinha qualquer fratura. As dores, especialmente do tórax, sentiríamos com muito mais intensidade nos próximos dias e por meses, como de fato ocorreu. Nosso filho que sangrava muito no rosto tinha apenas um pequeno corte no supercílio. No final ficou constatado que cada um de nós tinha apenas algumas luxações, mas nada mais grave.

Já em casa de irmãos zimbabuenses em Mutare, onde fomos carinhosamente hospedados e tratados por alguns dias enquanto nos recuperávamos um pouco, soubemos que já haviam acontecido outros acidentes no mesmo local. Um dia depois, mais dois acidentes com vítimas fatais. Só então a empresa decidiu colocar avisos de perigo no local.

Deus usou e tem usado esse acontecimento para ensinar a nós e a outros, grandes lições. Algumas dessas oportunidades de ensino vieram logo a seguir. A primeira aconteceu com o nosso próprio filho mais velho, que havia orado no início da nossa viagem. Algumas horas depois de havermos saído do hospital ele se aproximou da nossa cama com lágrimas nos olhos. Parecia estar profundamente triste e magoado com Deus. Perguntamos o que estava se passando, mas ele continuava calado, apenas chorava. As lágrimas desciam pelo rostinho outrora radiante e eufórico com a viagem. Então, dissemos: você não está feliz que o papai, a mamãe e seus irmãos estão todos bem? Como continuava calado pedimos que nos contasse o que estava sentido. Chorando, já em soluços, disse:

- Deus não cuidou da gente. Eu pedi pra Ele cuidar da nossa viagem e Ele não cuidou. Eu pedi pra Ele guardar a gente e Ele não guardou.

Entendemos os sentimentos dele e lhes dissemos que Deus lhe dava o direito dele pensar assim, de estar chateado e até entendia sua frustração, mas não era verdade o que ele estava dizendo. Mostramos para ele que apesar de termos perdido o carro, apesar de estarmos na cama sentindo dores, apesar termos as nossas férias comprometidas, Deus estava cuidando de nós e nos protegendo. Mostramos para que ele que Deus permitiu tudo aquilo acontecer, mas não nos abandonou. Nenhum de nós havia morrido, não tivemos nem mesmo fraturas. Deus providenciou nossos amigos para nos socorrer. Deus providenciou médicos para nos ajudar. Deus providenciou uma casa para ficarmos até nos recuperarmos um pouco mais. Deus estava cuidando de tudo porque Ele sempre cuida de nós. Fizemos que ele entendesse que tudo aquilo era parte do cuidado e proteção de Deus. Depois de algum tempo em silêncio, cabeça baixa como se estivesse meditando no que havíamos dito, já sem as lágrimas e os soluços, levantou-se com a seguinte conclusão:

- Já sei papai. Os demônios jogaram o carro no rio e Deus mandou os anjos segurarem pra não cair com força.

Ele entendeu que o poder de Deus está acima de qualquer poder. Entendeu que Deus está no controle mesmo quando parece que estamos perdendo. Entendeu que nossa segurança e socorro sempre virão do Senhor. Entendeu que há outras forças e poderes, mas a segurança verdadeira está somente em Deus.

A segunda oportunidade de usar através essa dura experiência com o prpósito didático aconteceu dias depois. Já um pouco recuperado e de volta à sala de aula no Instituto Bíblico percebi que havia uma grande expectativa da parte dos alunos. Parecia-me pairar no ar o argumento daquele aluno. Algo como: - Eu não disse! Não se pode mexer nessas coisas sem “pedir autorização”. Havia uma espécie de suspense entre eles. Durante a aula resolvi trazer de volta a questão levantada pelo aluno, perguntando:

- Muito bem! Estão preocupados com o que aconteceu? Acham que o inimigo levou vantagem?

Continuaram calados como se ainda estivessem chocados com a notícia do acidente e de me verem de volta ali depois de 20 dias. Então lhes disse:

- Sei que muitos de vocês ficam assombrados com o poder dos espíritos demoníacos, que alguns entendem ser o poder dos espíritos dos seus ancestrais. Pois bem, para mim o que há de mais espetacular é o poder de Deus. Depois do acidente eu e minha família ficamos ainda mais maravilhados com o poder de Deus ao estender Seu forte braço de livramento sobre nós. Nosso coração se inundou de alegria, apesar das dores. Deus permite Satanás intentar contra nós, sempre com um propósito, mas jamais nos deixa sozinhos. Por outro lado Ele jamais permite que isso ocorra sem estabelecer um limite. Nosso inimigo só atua até onde Deus permite que ele vá. Nossos olhos não estão no que ele e seus demônios podem fazer, sob a permissão de Deus, mas naquilo que somente Deus é capaz de fazer – salvar.

Pude ver seus rostos surpresos através de olhos arregalados. Era comum um ou outro dormir na sala de aula depois de um dia cansativo de trabalho. Naquela noite participaram de toda a aula sem um cochilo sequer. Dali por diante o medo de lidar com coisas ou situações relacionadas a espíritos malignos (demônios) caiu por terra. Passaram a entender mais claramente que o poder de Deus está acima do poder das trevas e cabe ao crente viver debaixo da autoridade e poder do Senhor, sem qualquer temor.

Aquela, sem dúvidas, foi uma experiência com profundo efeito didático. Ele queria nos ensinar de um modo prático sobre o Seu livramento. Não havia maneira para uma criança entender melhor sobre o socorro de Deus. De igual modo para a mente africana acostumada a coisas concretas, verdades abstratas não fazem sentido fora do ambiente da prática.

Ficou mais do que claro para todos nós: do Senhor vem a nossa força e a Ele pertence o livramento no dia mau.